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Descoberta reacende esperança mundial de paraplégicos e pode render Nobel à cientista brasileira

O descobrimento da molécula oferece esperança a milhares de pessoas que vivem com paralisia e até então tinham poucas opções de recuperação funcional.

18/02/2026 às 14h51
Por: Fabio Brito Fonte: BN News Natal
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Descoberta reacende esperança mundial de paraplégicos e pode render Nobel à cientista brasileira

O Brasil e o mundo pode estar diante de um Prêmio Nobel, depois da descoberta de uma cientista brasileira, que desenvolveu uma molécula capaz de fazer paraplégicos voltarem a andar.

A responsável por essa descoberta inovadora para ciência é a bióloga e pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, que após mais de 25 anos de estudo, desenvolveu uma molécula experimental chamada polilaminina.

A estrutura química está abrindo novas perspectivas e oportunidades para pessoas que ficaram paraplégicas ou tetraplégicas por acidentes.

Apesar de ainda estar em fase de testes, o avanço já projeta o nome da pesquisadora no cenário internacional. Há especulações sobre uma possível indicação ao Prêmio Nobel de Medicina no futuro e com isso o reconhecimento científico reforça a relevância do trabalho desenvolvido no Brasil por pesquisadores.

Como a molécula age no paciente?

A molécula polilaminina é uma forma recriada em laboratório da laminina, uma proteína que no desenvolvimento embrionário ajuda os neurônios a se conectarem.

O estudo sobre o componente apontou que  se for aplicada na região lesionada da medula espinhal, pode estimular a regeneração dos circuitos nervosos e restaurar funções motoras.

A polilaminina ainda está em desenvolvimento e apesar de não ser um tratamento disponível de forma generalizada, a pesquisa de Tatiana Sampaio representa um avanço histórico para ciência mundial.

O descobrimento da molécula oferece esperança a milhares de pessoas que vivem com paralisia e até então tinham poucas opções de recuperação funcional.

Aprovação da Anvisa para testes em humanos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já autorizou o início da primeira fase dos estudos clínicos com humanos da polilaminina, medicamento experimental desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para tratar lesão medular. 

Os testes preliminares, com uma versão ainda laboratorial da substância, resultou em movimentos a um pequeno grupo de pacientes e cães.

Segundo a agência, essa primeira fase envolverá 5 voluntários, com idades entre 18 e 72 anos, que tiverem lesões completas da medula espinhal torácica entre as vértebras T2 e T10, com indicação cirúrgica, há menos de 72 horas. Pacientes com lesões crônicas, portanto, não estarão elegíveis.

Dependendo dos resultados, o medicamento poderá avançar para as fases 2 e 3, que têm como objetivo comprovar a eficácia para tratar a lesão. 

Somente após completar as três etapas, o medicamento pode ser submetido à aprovação da Anvisa para uso.

A polilaminina vem sendo estudada há mais de 20 anos e é baseada na laminina, uma proteína naturalmente presente no organismo e ligada à regeneração das conexões nervosas. 

O medicamento é aplicado uma única vez, diretamente na área lesionada da medula espinhal.

Pacientes já curados com o medicamento

Pelo menos cinco pacientes fizeram o tratamento e apresentaram o desenvolvimento e movimento dos membros até o momento.

Segundo apurado pelo portal Só Notícia Boa, o primeiro paciente a receber a aplicação, Luiz Fernando Mozer, de 37 anos, que sofreu lesão medular em um acidente durante uma apresentação de motocross, no Espírito Santo e em menos de 48h após a aplicação, ele passou a relatar sensibilidade nos membros inferiores e conseguiu contrair músculos da coxa e da região anal.

O segundo paciente, de 35 anos, tratado em um hospital do Rio após um acidente de moto, apresentou leve movimento do pé e sensibilidade em partes das pernas. 

Já o terceiro foi Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, diagnosticado com tetraplegia, que voltou a andar.

O quarto paciente foi Diogo Barros Brollo, de 35, que ficou paraplégico no Rio de Janeiro, mexeu o pé depois de usar a polilaminina.

O último é um jovem de 24 anos que sofreu acidente numa cachoeira do Espírito Santo.

O preço da dedicação a ciência e esperança para muitos

Em entrevista ao jornalista Rinaldo de Oliveira, Tatiana Coelho de Sampaio falou sobre como vive longe das redes sociais e no off trabalhando com sua pesquisa.

Aos 59 anos, mãe de dois filhos biológicos, ela abriga na casa dela uma jovem órfã de pai e mãe, que foi separada da irmã quando ainda era jovem, e vivia no Maranhão.

A cientista relatou que dorme apenas 6 horas por noite porque tem muito o que fazer e que não tem redes sociais:

Acho que Instagram é uma coisa que mobiliza muito a pessoa, né? Você fica muito envolvido com fofoca e tem expectativas irreais sobre o mundo, sobre as pessoas. Prefiro a vida real. Viver sempre será minha primeira opção”, disse.

Tatiana trabalha no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ e chefia uma equipe de 15 pesquisadores que se dedicam ao estudo da polilaminina.

O investimento para que o medicamento vá para as prateleiras das farmácias gira em torno de R$ 28 milhões.

A ex-ginasta Laís Souza compartilhou com os seguidores que sofreu um grave acidente de esqui há 12 anos, nos Estados Unidos, e ficou tetraplégica e que a descoberta da polilaminina revive sua esperança.

“Em 12 anos de lesão, acompanhei inúmeros estudos ao redor do mundo. Li artigos, vi reportagens, ouvi especialistas, mas sem criar expectativas”, disse em uma publicação. 

“Nunca, nem nos meus melhores sonhos, imaginei que essa luz estaria tão perto. Aqui na nossa casa, no nosso país”, completou após um encontro com Tatiana.

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