
Setembro é o mês dedicado a alertar as pessoas do mundo sobre a importância de cuidar do coração. Criado há 23 anos pela Federação Mundial de Cardiologia e apoiado pela Organização das Nações Unidas, o Setembro Vermelho tem o objetivo de melhorar a conscientização sobre as doenças cardíacas.
A iniciativa chama atenção para enfermidades como os infartos e acidentes vasculares cerebrais, que ocasionam aproximadamente um terço das mortes do mundo, além das medidas que podem ser feitas para preveni-las. A depender do país, a taxa de mortalidade pode chegar a 30%, sem considerar os agravantes de saúde e a idade avançada.
Em entrevista a Rede de Rádios Verdes Campus Sat, o doutor Paulo Márcio, diretor do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI) alertou a população sobre a campanha setembro vermelho e falou sobre os riscos de infarto do coração. “O infarto e o derrame são provocados por conta de fatores de risco; quem tem pressão alta tem 70% de ter um derrame cerebral e 60% a mais de ter um infarto, quem tem diabetes tem 30% de ter um infarto fulminante, quem tem colesterol alto tem 30% a mais de ter um infarto , quem está com sobrepeso tem entre 30% e 60% de chance de ter um evento cardíaco e quem fuma, “esse é o campeão”, dificilmente a pessoa que fuma morre de outras doenças, que não seja o infarto, derrame ou câncer”, relatou o doutor Paulo Márcio.

“Nos países europeus fala-se muito sobre o impacto que o estresse causa na vida cotidiana. Ele está extremamente ligado ao aumento da ansiedade, ao aumento da adrenalina que aumenta a pressão e consequente aumento os riscos de problema cardíaco, infarto fulminante ou até um derrame”. Destacou.
Durante a entrevista a Rede de Rádios Verdes Campus Sat, o diretor do HU-UFPI, esclareceu também sobre a importância de doações de órgãos no Brasil. “ Hoje no Brasil tem 360 pessoas esperando um transplante de coração. Já foi feito no primeiro deste ano 234 transplantes no país. A fila de transplante demora entre 30 dias, seis meses, oito meses ou até nove meses. Não porque ninguém passa na frente não, a fila do transplante é uma fila única no Brasil, bem conduzida, não tem influência de político, é nem influência de financeira, ela está relacionada a compatibilidade. O grande problema do Brasil é que as pessoas não doam os órgãos. No Canadá, por exemplo de cada 10 pessoas que morrem 9 são doadoras. Isso significa que são 90% de doação para o país. No Brasil este índice é de apenas de 50% somente e em referência ao Piauí este índice é de apenas 20% ou 30% de doação. É importante dizer que no Brasil, é preciso que família autorize a doação de órgãos para que esse processo seja feito”, Informou o doutor Paulo Márcio, diretor do HU-UFPI.
“Hoje a fila de transplante anda em uma velocidade cada vez menor, porque faltam órgãos doadores, se tivessem órgãos para doar acabava a fila, principalmente poque não é tão comum a doação no Brasil". concluiu o gestor.
De acordo com o Ministério da Saúde, de janeiro a junho de 2023, o Brasil registrou mais de 1,9 mil doadores efetivos de órgãos. Esse é um número recorde de doações, quando comparados números do mesmo período dos últimos dez anos, e possibilitou a realização de mais de 4,3 mil transplantes.

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