Quarta, 21 de Janeiro de 2026
32°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Brasil Alerta

Golpes de empréstimo crescem 150%: Saiba como se proteger agora

Especialistas revelam expressões utilizadas por criminosos e ensinam cinco formas comprovadas de proteger seu dinheiro.

21/01/2026 às 14h41
Por: Fabio Brito Fonte: Clik Grátis
Compartilhe:
Golpes de empréstimo crescem 150%: Saiba como se proteger agora

R$ 1,2 bilhão. Esse é o valor que os brasileiros perderam para golpistas em 2025 ao buscar crédito rápido. Os golpes financeiros dispararam 150% nos últimos meses, atingindo 2,3 milhões de vítimas em todo o país. Com 76,6 milhões de inadimplentes no Brasil, segundo dados da Serasa, criminosos encontraram terreno fértil para aplicar fraudes cada vez mais sofisticadas.

A situação é alarmante. De acordo com pesquisa da McAfee Labs, mais de 50% dos brasileiros sofreram algum tipo de fraude no último ano. Os golpistas apostam em táticas psicológicas bem elaboradas, usando frases específicas que exploram a urgência financeira das vítimas. Identificar essas expressões pode ser a diferença entre proteger seu dinheiro ou perder economias de meses.

As frases que denunciam o golpista
Os criminosos seguem um roteiro bem definido. A primeira armadilha costuma ser uma promessa irresistível: crédito aprovado sem consulta ao SPC ou Serasa, com juros abaixo de 1% ao mês e liberação imediata. Especialistas da Febraban identificaram que 45% dos golpes em 2024 foram aplicados via WhatsApp, com criminosos usando números falsos de São Paulo e Rio de Janeiro.

Entre as frases mais utilizadas pelos fraudadores estão expressões como "pague agora ou perca a oferta", criando senso de urgência artificial. Outra tática comum é o uso de "última chance de aprovação" ou "garanta seu crédito hoje". Essas abordagens visam impedir que a vítima tenha tempo para refletir ou pesquisar sobre a suposta instituição.

O Banco do Brasil emitiu alerta específico sobre golpistas que se apresentam oferecendo "juros zero" ou "aprovação sem análise de crédito". Nenhuma instituição financeira legítima opera dessa forma. A análise de crédito é etapa obrigatória e regulamentada pelo Banco Central, mesmo para valores pequenos.

Outros sinais verbais incluem solicitações de "taxa de liberação", "depósito garantidor", "pagamento do IOF antecipado" ou "taxa de advogado". A Receita Federal esclareceu que o IOF em empréstimos é sempre pago pela instituição que fornece o crédito, nunca pelo tomador, e o recolhimento ocorre via DARF após a liberação do dinheiro.

Como funciona o golpe na prática
O esquema segue padrão identificado em investigações policiais. Primeiro, os criminosos abordam potenciais vítimas por múltiplos canais: SMS, e-mail, WhatsApp, redes sociais ou até ligações telefônicas. Usam logotipos e identidade visual de bancos conhecidos para dar aparência de legitimidade.

Em seguida, apresentam proposta com condições extremamente vantajosas. Para quem está com nome sujo e dificuldade de obter crédito, a oferta parece uma solução milagrosa. É quando surge a exigência de pagamento prévio, disfarçada sob diferentes nomenclaturas: taxa administrativa, seguro obrigatório, custo de cartório ou análise cadastral.

Dados da Confederação Nacional dos Lojistas e do Serviço de Proteção de Crédito mostram que famílias com renda até dois salários mínimos representam 60% das vítimas. O valor médio perdido é de R$ 1.200, equivalente a duas cestas básicas completas. O impacto vai além do dinheiro: 25% dos brasileiros desenvolveram desconfiança em relação a empréstimos legítimos, prejudicando o mercado de crédito.

Após receber o pagamento por PIX ou boleto, os golpistas simplesmente desaparecem. Números de telefone são bloqueados, perfis em redes sociais deletados, e qualquer rastro digital é apagado. A vítima fica sem o dinheiro pago e sem o empréstimo prometido

Sinais de alerta que não podem ser ignorados
Erros gramaticais em mensagens oficiais são indicativo forte de fraude. Bancos e instituições financeiras sérias revisam cuidadosamente suas comunicações. Textos com linguagem estranha ou traduções automáticas mal feitas revelam origem criminosa.

Comunicação por canais não oficiais merece atenção. Propostas recebidas via aplicativos de mensagem de números desconhecidos, e-mails de domínios suspeitos ou perfis de redes sociais sem verificação devem ser ignoradas. Instituições legítimas contatam clientes através de canais registrados.

A solicitação de dados sensíveis por mensagem é prática proibida. Nenhum banco solicita senha, código de verificação ou informações completas de cartão por WhatsApp, SMS ou e-mail. Essas informações devem ser fornecidas apenas em ambientes seguros, com certificação digital.

Pressão para decisão imediata é tática clássica de golpista. Ofertas legítimas de crédito não têm prazo de validade de minutos ou horas. Frases que induzem urgência artificial servem para impedir que a vítima consulte familiares, pesquise a empresa ou reflita sobre as condições.

Como se proteger efetivamente
A primeira defesa é informação. Antes de contratar qualquer empréstimo, consulte o Registrato, ferramenta do Banco Central que mostra todas as operações de crédito em seu nome. O acesso é gratuito e permite identificar contratos fraudulentos rapidamente.

Use apenas canais oficiais. Entre em contato com bancos através dos telefones divulgados no site institucional ou aplicativo oficial. Nunca utilize números fornecidos em mensagens ou anúncios. Esta simples precaução elimina risco de falar com golpistas que clonam centrais de atendimento.

Verifique a reputação da empresa no Reclame Aqui e em pesquisas no Google. Comentários de outros consumidores revelam padrões de comportamento. Grande volume de reclamações sobre depósitos não devolvidos ou crédito não liberado são evidências claras de fraude.

Proteja seus dados pessoais. Não compartilhe documentos como RG, CPF ou comprovante de residência antes de confirmar a legitimidade da instituição. Ative autenticação em dois fatores nas contas bancárias e monitore regularmente extratos em busca de movimentações suspeitas.

Para quem precisa recuperar crédito, existem programas oficiais como o Feirão Serasa e linhas de renegociação de bancos públicos. Essas alternativas, embora exijam mais paciência, são infinitamente mais seguras que ofertas milagrosas de crédito fácil.

O que fazer se você caiu no golpe
Agilidade é fundamental. Registre imediatamente um boletim de ocorrência, presencialmente ou pela delegacia virtual. O documento é essencial para investigações policiais e possível ressarcimento judicial. Guarde todas as evidências: prints de conversas, comprovantes de pagamento, contratos recebidos e números de telefone utilizados.

Entre em contato com o banco onde realizou a transferência. Solicite o bloqueio da conta receptora e tente rastrear o valor. Embora difícil, em alguns casos é possível interromper transferências recentes ou identificar outros golpes aplicados pela mesma rede criminosa.

Comunique a fraude ao Banco Central através do canal específico de denúncias. A autarquia federal mantém estatísticas e investigações sobre operações irregulares. Seu relato contribui para identificar padrões e proteger outros consumidores.

Considere consultar um advogado especializado em crimes digitais. Processos civis podem buscar ressarcimento, especialmente quando há negligência comprovada de instituições financeiras em verificar operações suspeitas. A legislação prevê responsabilidade compartilhada em casos de falhas de segurança.

Se os golpistas obtiveram seus documentos pessoais, monitore seu CPF no sistema do Serasa. Criminosos frequentemente utilizam dados roubados para abrir contas bancárias ou contrair novas dívidas. A vigilância constante por alguns meses ajuda a identificar uso indevido rapidamente.

Compartilhe sua experiência em redes sociais e grupos comunitários. A conscientização coletiva é arma poderosa contra golpes. Relatos de vítimas ajudam outras pessoas a reconhecer fraudes semelhantes e evitar prejuízos. Em 2025, a educação financeira tornou-se questão de segurança pública.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias