
O dia 5 de agosto carrega um duplo significado religioso e histórico para a Paraíba. A data, consagrada como feriado estadual e data magna (conforme a Lei 3.489/1967), celebra simultaneamente o Dia de Nossa Senhora das Neves — padroeira de João Pessoa e da cidade mineira de Ribeirão das Neves — e a fundação da capital paraibana.
Com manifestações que reúnem fé e cultura, as comemorações incluem a tradicional missa e procissão do Mosteiro de São Bento até a Catedral Metropolitana, além de shows musicais e eventos públicos espalhados por toda a cidade.

Conhecida também como Santa Maria Maior, a invocação à Virgem Maria remonta ao ano de 352, na antiga Roma. Segundo a tradição católica, um casal idoso e sem herdeiros pediu à santa orientação sobre o destino de suas posses. Em sonho, Nossa Senhora solicitou a construção de uma basílica no local onde amanhecesse coberto de neve.
Na madrugada entre 4 e 5 de agosto, em pleno verão europeu, o cume de uma das colinas romanas apareceu coberto de neve. O Papa Libério, que teve o mesmo sonho, ordenou a edificação da Basílica de Santa Maria Maior, a primeira e maior igreja dedicada à Virgem Maria em Roma. A tradição também consagrou a santa como a protetora dos alpinistas.
Fundada em 5 de agosto de 1585 às margens do Rio Sanhauá, João Pessoa nasceu sob a proteção da padroeira do dia, recebendo inicialmente o nome de Real Cidade de Nossa Senhora das Neves. O povoado cresceu rapidamente em torno do porto e da produção açucareira dos 18 engenhos da região, atraindo ordens religiosas como os franciscanos (1589) e os beneditinos (1600), cujos prédios históricos permanecem preservados no centro da cidade.
A capital é a terceira mais antiga do Brasil e acumulou diversas nomenclaturas ao longo dos séculos devido às disputas territoriais:
Felipeia de Nossa Senhora das Neves: Denominação adotada durante a União Ibérica, em homenagem ao rei Felipe II da Espanha.
Frederikstadt (Cidade de Frederica): Nome atribuído em 1634 durante a ocupação holandesa, em referência ao Príncipe de Orange, Frederico Henrique.
Cidade da Parahyba: Nome restabelecido após a expulsão dos holandeses, mantido até o século XX.
João Pessoa: Batismo definitivo ocorrido em 1930, em homenagem ao ex-presidente do estado (cargo equivalente ao de governador) assassinado naquele ano.
Por estar localizada no ponto mais oriental das Américas, João Pessoa é famosa pelos epítetos de "Porta do Sol" e "Cidade Onde o Sol Nasce Primeiro". Com uma população que supera os 800 mil habitantes, a capital pessoense fortaleceu sua economia ao migrar historicamente da agricultura para o polo turístico e de serviços.
A cidade também acumula episódios e nomes ilustres em sua trajetória:
Visita Imperial: O imperador Dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina celebraram o Natal de 1859 na capital paraibana.
Naturais ilustres: A cidade é terra natal do escritor Ariano Suassuna (1927–2014), do ex-futebolista Júnior (ícone do Flamengo e da Seleção Brasileira) e do músico Herbert Vianna, líder da banda Os Paralamas do Sucesso.
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