
O trimestre de julho, agosto e setembro deve aprofundar a tendência de seca nas regiões centrais e em partes do Norte e Nordeste do Brasil, trazendo impactos diretos para a segunda safra de milho e para a recuperação das pastagens. Por outro lado, a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica a continuidade de chuvas fortes no Sul, no extremo norte do país e na faixa litorânea do Nordeste.
De acordo com o boletim divulgado pelo órgão, as condições climáticas seguem sob a forte influência do fenômeno El Niño (aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial), que deve persistir de forma intensa até fevereiro de 2027. Em contrapartida, as águas do Oceano Atlântico devem se manter em estado de neutralidade.
Nas regiões centrais e no Norte do país, o calor deve ganhar força, com temperaturas que podem registrar até 2°C acima da média histórica em estados como Amazonas, Acre, Pará, Roraima, Tocantins, Rondônia e Mato Grosso.
Déficit hídrico: Áreas ao norte do Amazonas devem registrar até 100 mm abaixo da média. Em setembro, o déficit de chuva pode chegar a 130 mm no Tocantins, Amapá e sudeste do Pará.
Nível dos rios: O calor e a falta de chuva favorecem a baixa dos rios e acendem o alerta para o risco de queimadas.
Lavouras: O solo ainda apresenta boa umidade residual devido às chuvas do primeiro semestre. Isso deve favorecer a maturação e a colheita do milho segunda safra e do sorgo entre julho e agosto, ajudando a secar os grãos rapidamente. No entanto, as pastagens e as lavouras tardias devem sofrer perdas em setembro.
Algodão e milho: A baixa umidade do ar beneficia a maturação e a qualidade do algodão, principalmente em Goiás.
Pastagens: O tempo seco dificulta o crescimento do capim, afetando diretamente a nutrição dos rebanhos a curto e médio prazo. Há também risco de perda de produtividade na safrinha de milho tardia.
No Nordeste, as temperaturas devem subir substancialmente. Os maiores desvios são previstos para o Maranhão, extremo oeste da Bahia e o sudoeste e centro-norte do Piauí, com termômetros marcando até 2°C acima da média.
Faixa litorânea: Deve continuar registrando chuvas volumosas devido aos Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOLs), sistemas meteorológicos que trazem umidade do oceano e garantem boa reserva hídrica no solo.
Interior: Em agosto e setembro, a seca se espalha pelo interior de Pernambuco, Paraíba e oeste baiano, com déficits superiores a 100 mm.
Alerta para milho e feijão: Lavouras de sequeiro (especialmente no semiárido oriental e na região do Sealba — Sergipe, Alagoas e leste da Bahia) podem ter a floração e o enchimento de grãos prejudicados pela falta de água.
Ao contrário do restante do país, a Região Sul deve registrar volumes de chuva significativos, com acumulados que podem superar 150 mm em julho e setembro, principalmente no norte do Rio Grande do Sul e sul de Santa Catarina.
Alerta fitossanitário: Embora o armazenamento de água no solo esteja alto (acima de 70%), a combinação de chuvas frequentes com a baixa luminosidade solar favorece o desenvolvimento de pragas e doenças fúngicas nas lavouras de inverno.
Além disso, o excesso de umidade no solo deve reduzir as janelas de trabalho dos produtores para aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas.
O Sudeste deve registrar temperaturas cerca de 1°C acima da média histórica, mantendo as precipitações dentro do esperado, exceto no Espírito Santo e no nordeste de Minas Gerais, onde há previsão de déficit hídrico.
A previsão é favorável para as culturas de café, hortaliças e lavouras de inverno irrigadas. Contudo, o Inmet emitiu um sinal de alerta para o setor de recursos hídricos: a persistência de temperaturas elevadas deve aumentar significativamente o consumo de água, gerando uma forte pressão sobre os reservatórios da região.
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