
Uma série de investigações, auditorias e operações policiais deflagradas ao longo de maio de 2026 colocou sob holofote um cenário alarmante de má gestão e corrupção em dezenas de municípios do Piauí. Relatórios emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI), procedimentos do Ministério Público Estadual (MPPI) e ações da Polícia Federal revelam que os desvios afetam desde a compra de medicamentos até verbas carimbadas da educação básica.
O caso mais agudo do mês envolve a prefeitura de Vila Nova do Piauí, que se tornou o epicentro da Operação Gênesis, deflagrada pela Polícia Federal. A ação policial mira um esquema de desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro, peculato e fraudes licitatórias. Até o momento, as investigações resultaram no afastamento imediato de um assessor contábil diretamente ligado ao gabinete do prefeito.
Rombos contratuais e licitações suspeitas:
A fiscalização do TCE-PI também apontou prejuízos severos aos cofres públicos no interior do estado. Em Paquetá do Piauí, auditores identificaram irregularidades graves em um contrato que beira os R$ 2 milhões. O tribunal estima que o dano real ao erário chegue a R$ 645 mil, resultando na aplicação de multas ao prefeito e a secretários municipais.
Outros municípios enfrentam a linha de frente do Ministério Público por suspeitas de favorecimento e contratos sem lastro legal:
Santa Cruz do Piauí: A prefeita Laís Barroso é investigada por supostas irregularidades em um pregão eletrônico voltado para a contratação de serviços de hospedagem.
Buriti dos Lopes: A prefeita Laura Rosa virou alvo do TCE-PI após a descoberta de pagamentos sem cobertura contratual e o uso indevido de verbas do FUNDEB para custear serviços terceirizados de limpeza.
Parnaíba: O MPPI instaurou um procedimento preparatório para apurar dispensas de licitação consideradas suspeitas na compra emergencial de medicamentos e insumos para a rede hospitalar.
Caos administrativo e funcionalismo inflado:
Além do desvio direto de recursos, a desorganização administrativa e o desrespeito às leis fiscais ganharam contornos críticos. Em Monte Alegre do Piauí, o prefeito Dijalma Mascarenhas foi obrigado, por meio do Acórdão nº 117/2026 do TCE-PI, a corrigir falhas severas que incluem a existência de contas bancárias ocultas nos sistemas de controle e pagamentos sem qualquer registro contábil.
A farra de contratações sem concurso público também entrou no radar das autoridades. Em Prata do Piauí, o prefeito Neto Mendes é investigado por manter 332 servidores em regime de contratação precária. Situação semelhante ocorre em Cocal, onde o prefeito Nonatinho foi denunciado ao tribunal por irregularidades em nomeações para cargos públicos. Em outra frente, o prefeito de Campo Maior, Joãozinho Félix, responde a um inquérito civil por demolir imóveis antes de realizar o devido pagamento de indenizações.
Descontrole fiscal e contas reprovadas:
O colapso financeiro é evidenciado pelo desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Municípios como Campo Maior (62,5%), São João da Fronteira (61,64%) e Parnaíba (56,22%) ultrapassaram drasticamente o limite legal de gastos com pessoal. Para agravar o cenário de omissão, cidades como Valença do Piauí, Jaicós, Dom Inocêncio, Santa Filomena e Barra D'Alcântara foram notificadas por esconderem seus dados e não publicarem os Relatórios de Gestão Fiscal (RGF) no prazo legal.
Por fim, o descontrole orçamentário gerou punições severas na corte de contas. O ex-prefeito de Capitão de Campos, Tim Medeiros, teve a recomendação de reprovação de suas contas devido à ausência completa da Lei Orçamentária Anual (LOA). Na mesma esteira, Olho D'Água do Piauí e Lagoa de São Francisco tiveram pareceres pela rejeição de seus balanços por conta de falhas graves de gestão e uso irregular de verbas da educação.
As defesas dos prefeitos e gestores citados foram notificadas pelos órgãos de controle e os processos seguem em tramitação no TCE-PI e no Poder Judiciário.

















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