
A Polícia Civil do Piauí, em ação conjunta com a Polícia Civil de Mato Grosso e com o suporte da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil - DIPC, deflagrou, nesta quarta-feira (08/07), a "Operação Falso Elo", com o objetivo de combater fraudes e desarticular uma organização criminosa estruturada para a prática sistemática de estelionatos por meios eletrônicos.
A investigação foi conduzida pela Delegacia de Baixa Grande do Ribeiro (PI) e teve início após a denúncia de um morador idoso, residente no município de Ribeiro Gonçalves (PI), que foi vítima do golpe conhecido como “intermediário de vendas”, aplicado no comércio de veículos pela internet.
De acordo com as investigações, os criminosos utilizavam a plataforma OLX para induzir a vítima a acreditar que realizava uma compra legítima. O investigado manipulou as conversas entre comprador e o vendedor real, fazendo com que o automóvel fosse exibido sem que o proprietário revelasse o valor verdadeiro de venda. Mediante comprovantes falsificados e outros artifícios fraudulentos para simular legalidade, a organização conseguiu que o idoso transferisse valores expressivos diretamente para contas controladas pelo grupo, gerando grave e substancial prejuízo financeiro.

No decorrer das apurações, o trabalho de inteligência policial conseguiu identificar e mapear toda a estrutura operacional responsável pelas fraudes. Foi constatado que o esquema era operado e comandado por integrantes de uma mesma família estabelecida na cidade de Cuiabá (MT), que atuavam de forma altamente organizada e reiterada, aplicando fraudes semelhantes.
As diligências técnicas demonstraram ainda que o grupo criminoso possuía alcance nacional e transnacional, com registros de pessoas lesadas não apenas em diversas unidades da federação, mas também residentes no exterior, evidenciando uma elevada capacidade operacional e logística na pulverização de golpes digitais.
Além do crime de estelionato digital, a investigação também apura a prática de outros delitos relacionados, entre eles a falsificação de documento e a associação criminosa, sem prejuízo da identificação de outras infrações penais eventualmente evidenciadas no decorrer do procedimento.
Com base nos elementos probatórios reunidos durante o inquérito policial, as forças de segurança representaram pelas medidas cautelares cabíveis de busca e apreensão domiciliar e prisões temporárias.

Os mandados judiciais foram expedidos pela Central Regional de Inquéritos IV - Polo Floriano do Tribunal de Justiça do Piauí e cumpridos na cidade de Cuiabá (MT), onde as equipes localizaram as bases do grupo.
Durante o cumprimento das medidas judiciais nos endereços confirmados, foram apreendidos aparelhos celulares e equipamentos de informática utilizados pelos investigados. Os dispositivos serão submetidos à perícia e à extração forense de dados, etapa considerada fundamental para o aprofundamento das investigações. A análise técnica poderá identificar novas vítimas, revelar a real extensão da atuação criminosa, desvelar a cadeia de movimentação financeira e reunir provas cabíveis para a completa responsabilização penal de todos os envolvidos.
A operação contou com o suporte do Núcleo de Inteligência de Parnaíba - NUINT/PHB e com a cooperação operacional da Delegacia Especializada de Estelionato da Polícia Civil de Mato Grosso, demonstrando a importância da integração entre as instituições de segurança pública no enfrentamento às organizações criminosas de caráter interestadual.

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