
Nos corredores políticos e salões verdes de Brasília, a instalação da comissão parlamentar de inquérito que visa investigar o polémico caso Master é vista atualmente por analistas e parlamentares como praticamente inviabilizada. Senadores de diferentes bancadas partidárias e importantes interlocutores do governo federal dão a iniciativa de investigação como totalmente enterrada devido à falta de articulação e ao ritmo acelerado de esvaziamento ditado pelas principais lideranças da Casa.
O requerimento, que no início do ano legislativo chegou a ganhar força substancial e a recolher assinaturas mais do que suficientes entre os parlamentares dos blocos da oposição, perdeu fôlego nas últimas semanas à medida que as prioridades económicas ganharam urgência. O principal entrave político para o avanço dos trabalhos e abertura dos debates reside na postura estratégica e firme adotada pelo senador Davi Alcolumbre, figura central e decisiva no controle das pautas do Senado.

Segundo fontes que acompanham de perto os bastidores do Congresso Nacional, Alcolumbre não dá nenhum sinal de que cederá às pressões contínuas e apelos inflamados dos blocos oposicionistas para dar andamento aos trâmites regimentais necessários para o início dos trabalhos da comissão. Sem o aval político e a simpatia das lideranças que controlam as comissões mais importantes da Casa, o movimento parlamentar perdeu o seu poder de barganha e esbarrou na burocracia das gavetas técnicas.
Diante deste cenário de isolamento político e técnico, os próprios parlamentares da base governista e líderes de partidos de centro já consideram o assunto completamente superado na pauta do Legislativo, focando agora todas as atenções e esforços nas negociações de reformas económicas e na votação de projetos de interesse direto do Ministério da Fazenda.
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