
A Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) aprovou, em decisão recente do Conselho, novas especificações técnicas que limitam a dois o número de power banks que cada passageiro pode levar a bordo e proíbem a recarga desses dispositivos durante o voo. As regras foram inseridas nas Instruções Técnicas para o Transporte Seguro de Artigos Perigosos por Via Aérea, manual de referência da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para aviação, e deverão ser adotadas pelos 193 Estados‑membros da OACI.
A medida responde ao aumento de incidentes térmicos envolvendo baterias de íon‑lítio em cabines pressurizadas. Autoridades internacionais identificaram que, embora cada bateria tenha capacidade limitada, o efeito cumulativo de múltiplas unidades pode gerar riscos significativos de incêndio, dificultando o controle em altitude.
"Embora discreta para o viajante comum, a mudança tem alcance sistêmico. Pela primeira vez, a OACI estabelece um limite numérico internacional uniforme para power banks — até então, a regulação focava apenas na capacidade energética dos dispositivos, medida em watt‑hora (Wh). A proibição de recarga acrescenta uma camada operacional de controle sobre eventos que, em escala, representam risco real à segurança na cabine", afirmou Flávio Monteze, especialista em regulamentação de artigos perigosos no transporte aéreo e sócio da Apzi Assessoria e Serviços para a Aviação Civil.
O transporte de baterias de lítio tornou‑se um dos temas mais monitorados pelas autoridades aeronáuticas na última década. Essas baterias, presentes em celulares, notebooks e carregadores portáteis, podem sofrer fuga térmica, um fenômeno de reação em cadeia que gera incêndios de rápida propagação e difícil contenção em ambientes pressurizados.
As novas regras, aprovadas pelo Conselho da OACI, foram distribuídas a todos os Estados‑membros, que deverão incorporá‑las em suas legislações nacionais. A tripulação técnica continua autorizada a transportar e utilizar os dispositivos conforme necessidades operacionais da aeronave, mas os procedimentos de embarque, políticas de bagagem de mão, treinamentos de tripulação e comunicação aos passageiros deverão ser ajustados.
No Brasil, a adaptação ocorrerá por meio do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil nº 175 (RBAC 175), que trata do transporte aéreo de artigos perigosos por passageiros, tripulantes e operadores. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) costuma atualizar o regulamento ou emitir instruções suplementares para incorporar normas internacionais.
Embora a mudança afete um objeto cotidiano, ela faz parte de um modelo internacional de prevenção antecipada de riscos, que mantém a aviação entre os meios de transporte mais seguros do mundo. Ao estabelecer limites para equipamentos aparentemente triviais, a OACI reforça o princípio de que pequenos riscos, multiplicados por milhões de passageiros, podem se tornar riscos estruturais, exigindo regulação proativa antes que incidentes isolados se tornem padrão.
Tecnologia Aferição de idade online será implementada em fases
Tecnologia Boas práticas na agropecuária incluem higienização técnica Mín. 22° Máx. 28°