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'Chavoso da USP' e Rubinho Nunes batem boca na CPI dos Pancadões: 'Quem é o vereador ligado ao PCC?'

Na sessão, o vereador chegou a ameaçar dar “voz de prisão” ao youtuber por “testemunho falso”

30/08/2025 às 07h09 Atualizada em 30/08/2025 às 09h41
Por: Vanilson Brito Fonte: msn
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'Chavoso da USP' e Rubinho Nunes batem boca na CPI dos Pancadões: 'Quem é o vereador ligado ao PCC?'

A CPI dos Pancadões na Câmara Municipal de São Paulo terminou em bate-boca nesta sexta-feira (29). A discussão entre o vereador Rubinho Nunes (União Brasil) e o professor Thiago Torres, conhecido como "Chavoso da USP", começou após ele afirmar que o crime organizado também atua na Câmara Municipal. O professor havia sido convocado pela CPI para depor.

Na sessão, o vereador chegou a ameaçar dar “voz de prisão” ao youtuber por "testemunho falso".

Instalada em maio, a CPI dos Pancadões investiga falhas da prefeitura na fiscalização de festas clandestinas, que causam pertubação do sossego, além de apurar organizadores e possíveis ligações com o crime organizado.

Formado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP), Torres é conhecido na internet por criticar a criminalização da juventude negra e periférica e por abordar o preconceito contra o funk e as dificuldades enfrentadas por jovens das periferias para acesso à educação superior. Nesta sexta, ele foi convocado a depor por suposto envolvimento no crime organizado.

Durante o depoimento, Nunes, que é presidente desta Comissão Parlamentar de Inquérito, questionou se Chavoso reconhecia a existência do crime organizado nas periferias.

O youtuber respondeu que o crime organizado “existe em todo lugar”, inclusive “dentro desta Casa”, referindo-se à Câmara.

A declaração gerou reação imediata. O vereador rebateu, pedindo que o youtuber apontasse quem seriam os parlamentares ligados ao crime. Mas Chavoso permaneceu em silêncio.

“Quem é o parlamentar ligado ao crime organizado para que eu possa levar à Corregedoria?”, perguntou Nunes. “Qual é o vereador ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC)”?

A discussão se intensificou e foi preciso intervenção dos outros vereadores da comissão para acalmar os ânimos.

Em determinado momento, o vereador disse que mandaria recuperar, na gravação da sessão, o momento em que Chavoso insinuou a ligação de algum parlamentar ao crime organizado. Nunes disse que se ele negasse o que disse, “sairia preso”.

Antes do bate-boca, o vereador havia perguntado se o youtuber repudiava a atuação de grupos criminosos, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Chavoso rebateu dizendo que a pergunta “não tem nada a ver com baile funk” e afirmou que há uma “perseguição contra o gênero”.

Ao encerrar a sessão, o vereador solicitou que a Câmara encaminhasse a gravação da fala do professor ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), alegando a necessidade de “adoção das medidas legais por possível falso testemunho”.

Procurada, a Câmara Municipal não respondeu se acionou o MP-SP até a última atualização desta reportagem.

Depoimentos

As audiências da CPI dos Pancadões já ouviram, desde junho, depoimentos do produtor musical Henrique Alexandre Barros Viana, o “Rato”, da produtora Love Funk, e agora do professor e youtuber Thiago Torres, o “Chavoso da USP”.

Ambos foram convocados para esclarecer suspeitas de ligação com o crime organizado, presença de adolescentes nos bailes, hipersexualização nas músicas, consumo de drogas e bebidas alcoólicas nesses eventos.

Chavoso, que havia criticado a criação da CPI em um podcast em junho, disse que sua convocação à comissão foi uma tentativa de a comissão “ganhar visibilidade” às custas de sua imagem.

"A CPI quer aproveitar minha visibilidade para ganhar seguidores nas redes sociais, produzindo conteúdos com cortes de vídeos. Isso tem a ver com a criminalização da juventude negra e periférica da qual faço parte", disse.

Rubinho Nunes, por sua vez, justificou as perguntas alegando que investigações encontraram indícios de que adegas e tabacarias estariam ligadas à lavagem de dinheiro do crime organizado.

Na visão do professor, no entanto, há uma perseguição contra o gênero musical.

“Vou discordar da associação ao crime feita com o funk e o baile funk. As festas que acontecem nas favelas nos sábados, sextas às noites, com música alta, não é só funk. Temos sertanejo, forró, samba, a favela tem diversas culturas, não se restringe só ao funk. Quando [a CPI] se limita a investigar e associar somente o funk é uma perseguição ao gênero."

Após o depoimento, o presidente da CPI disse que é importante ouvir as pessoas que moram nas comunidades para contribuir com o trabalho do colegiado. Ele também disse que a CPI foi prorrogada por mais 120 dias dada a "complexidade do problema."

A reunião do colegiado foi conduzida pelo presidente da comissão, o vereador Rubinho Nunes (União Brasil). Além dele, participaram os parlamentares Kenji Ito (Pode), Lucas Pavanato (PL), Cris Monteiro (Novo), Amanda Paschoal (PSOL) e Keit Lima (PSOL).

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