Thursday, 06 de August de 2026
30°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Especiais CURIOSIDADE

Cientistas descobrem por que certas pessoas atrai mais mosquitos do que outras

Pesquisa nos EUA identifica bactérias na pele que atraem o inseto e derruba o mito do “sangue doce”.

06/08/2026 às 09h44
Por: Alline Portela
Compartilhe:
Cientistas descobrem por que certas pessoas atrai mais mosquitos do que outras

A ideia de que algumas pessoas são atacadas por mosquitos por terem o "sangue doce" não passa de um mito popular. A explicação científica para a preferência desses insetos está diretamente ligada aos odores expelidos pela pele e à composição do microbioma cutâneo.

É o que revela um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade Internacional da Flórida (FIU), nos Estados Unidos, e publicado na revista científica iScience.

Para entender os fatores de atração, os cientistas analisaram o comportamento de três espécies de mosquitos bastante conhecidas: o Aedes aegypti (transmissor da dengue, zika e chikungunya), o Aedes albopictus e o Culex quinquefasciatus (o popular pernilongo ou muriçoca).

No experimento, 119 voluntários inseriram o braço em um equipamento chamado olfatômetro, permitindo avaliar a reação dos insetos ao cheiro de cada indivíduo.

 

Preferências por espécie e papel das bactérias

Os resultados mostraram que a atração não é uniforme e varia conforme a espécie do mosquito. Enquanto o Aedes aegypti demonstrou uma leve preferência por voluntários do sexo masculino, as outras duas espécies não apresentaram distinção entre homens e mulheres. Além disso, ser "atraente" para uma espécie de mosquito não significou ser o alvo principal das demais.

Ao investigar o microbioma da pele dos participantes — composto por bactérias, fungos e vírus —, a equipe identificou 246 tipos de bactérias e descobriu uma assinatura biológica marcante.

Três bactérias específicas (Co. kefirresidentii, Cu. granulosum e Staphylococcus epidermidis) estavam presentes nos indivíduos que mais atraíram as três espécies de mosquitos, funcionando como um sinalizador para os insetos.

Outro achado importante foi que o Aedes aegypti e o Culex quinquefasciatus foram mais atraídos por pessoas com menores níveis de determinados compostos orgânicos voláteis (COVs), sugerindo que certos odores naturais da pele podem atuar como repelentes naturais.

Segundo os autores, a descoberta abre caminhos para o desenvolvimento de novos tipos de repelentes mais eficazes e até tratamentos voltados à alteração temporária do microbioma cutâneo.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários