
A Polícia Civil do Ceará (PC-CE) exonerou dos cargos de chefia os dois delegados responsáveis pela investigação que resultou na descoberta de uma plantação de maconha com aproximadamente 290 mil pés no município de Acopiara, na Região Centro-Sul do Estado.
A informação foi confirmada nesta segunda-feira (6). A decisão está relacionada à abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado contra os delegados Vicente de Paula Rodrigues Coelho, então diretor da Delegacia Seccional, e Marcos Sandro Nazaré de Lira, que ocupava o cargo de titular da Delegacia de Acopiara.
A portaria que determinou a instauração do procedimento foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 19 de junho.
A Associação dos Delegados de Polícia Civil do Ceará (Adepol-CE) manifestou contrariedade à decisão e afirmou que a exoneração dos cargos pode representar uma antecipação de sanção antes da conclusão do processo administrativo.
Segundo a entidade, a medida teria impacto funcional e financeiro sobre os servidores antes da finalização da apuração, podendo comprometer princípios como ampla defesa, contraditório e presunção de inocência.
A associação informou ainda que o caso está sendo acompanhado pelo departamento jurídico e defendeu uma investigação "rigorosa, imparcial e isenta", sem qualquer tipo de prejulgamento.
Em nota, a Polícia Civil do Ceará informou que a exoneração dos delegados dos cargos comissionados ocorreu em razão da instauração do PAD e segue uma determinação prevista na legislação estadual.
De acordo com a corporação, a medida não representa antecipação do julgamento do mérito do processo. Os delegados permanecem exercendo suas funções na instituição, porém foram afastados temporariamente dos cargos de chefia enquanto durar a tramitação do procedimento.
A plantação foi localizada pela Polícia Civil no dia 25 de junho, em uma área rural de Acopiara. Conforme informações da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), foram encontrados cerca de 160 mil pés de maconha ainda em cultivo e outros 130 mil pés que já haviam sido colhidos.
Três dias após a descoberta, o deputado federal André Fernandes (PL) denunciou que o local estaria sem policiamento adequado, o que teria permitido o acesso de pessoas não autorizadas à área e a materiais relacionados à investigação.
O episódio passou a ser investigado pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD). O delegado-geral da Polícia Civil, Márcio Gutiérrez, classificou o ocorrido como uma possível "falha de custódia".
O proprietário do terreno chegou a ser preso, mas conseguiu liberdade provisória após audiência de custódia. Ele afirmou que desconhecia a utilização da área para o cultivo de maconha. Segundo ele, a fazenda havia sido arrendada para um terceiro, que ainda não foi localizado pelas autoridades.
Na última sexta-feira (3), a SSPDS informou que a destruição da plantação foi concluída, com a incineração de todos os pés de maconha encontrados no local.
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