
Pela primeira vez em 12 anos, os cidadãos de Cuba lideraram as solicitações de refúgio no Brasil, ultrapassando os cidadãos da Venezuela. Os dados estatísticos confirmam o acentuado fluxo migratório da população que tenta deixar a ilha caribenha em meio a uma severa crise socioeconômica e ao desabastecimento estrutural que afetam o país. De acordo com o levantamento anual divulgado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), o governo brasileiro recebeu 41.919 pedidos de asilo de cubanos ao longo de 2025.
O volume representa um salto de 88,1% em relação ao ano anterior e equivale a mais da metade de todas as solicitações globais registradas em território nacional.
Com a nova configuração do fluxo migratório, os venezuelanos, que historicamente lideravam as estatísticas no Brasil devido à prolongada crise política e humanitária em seu país vizinho, passaram para a segunda posição no ranking oficial, somando 21.233 registros no mesmo período.
Especialistas apontam que o cenário atual expõe as dificuldades humanitárias enfrentadas pelas populações de ambas as nações, marcadas historicamente por forte escassez de produtos de primeira necessidade, inflação alta, apagões recorrentes de energia elétrica e episódios frequentes de repressão e instabilidade política.
No balanço geral divulgado pelas autoridades migratórias, o Brasil contabilizou um total de 75.599 solicitações formais de proteção internacional no último ano. O êxodo contínuo evidencia a situação de vulnerabilidade de milhares de famílias que optam por deixar seus países de origem e arriscar trajetórias migratórias complexas pelo continente americano em busca de novas oportunidades de sobrevivência, estabilidade financeira e segurança individual longe de cenários de severa crise econômica e controle governamental restritivo.
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