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Saúde Conscientização

Doença falciforme vai além da anemia e pode afetar múltiplos órgãos

Condição genética hereditária atinge cerca de 100 mil brasileiros e exige diagnóstico precoce para reduzir complicações.

19/06/2026 às 10h18
Por: Alline Portela
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Doença falciforme vai além da anemia e pode afetar múltiplos órgãos

Neste dia 19 de junho, celebra-se o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme. A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para dar visibilidade a essa condição genética, reduzir o preconceito e melhorar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

A doença falciforme é uma condição genética, hereditária e sistêmica que vai muito além da anemia, embora este seja um dos primeiros e mais frequentes sintomas. A explicação é da hematologista Marimília Pita, que alerta que a enfermidade afeta cerca de 100 mil brasileiros, segundo estimativa do Ministério da Saúde, e compromete o funcionamento de diversos órgãos ao longo da vida.

A doença ocorre devido a uma alteração nas hemácias, que passam a ter formato de foice em vez do formato habitual. Essas células têm vida útil reduzida e podem obstruir pequenos vasos sanguíneos, provocando crises de dor intensa, “microinfartos” e danos progressivos a órgãos como coração, rins e pulmões. “O paciente está sempre com anemia”, resume a especialista.

O diagnóstico pode ser feito precocemente por meio do Teste do Pezinho, incorporado há 25 anos ao Sistema Único de Saúde (SUS), o que permite iniciar o acompanhamento ainda nos primeiros dias de vida. Segundo a médica, a detecção precoce é fundamental para reduzir complicações e prevenir infecções, uma das principais causas de mortalidade infantil associada à doença.

Apesar de não ter cura na maioria dos casos, a doença falciforme pode ser controlada com tratamento médico contínuo, e, em situações específicas, pode haver indicação de transplante de medula óssea. A condição também provoca crises de dor que, em casos graves, podem exigir internação e uso de morfina.

A especialista também chama atenção para desafios sociais e estruturais, como o racismo e a desigualdade socioeconômica, já que a doença é mais frequente em pessoas negras, embora possa afetar qualquer população. “É uma doença mundial”, destaca.

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