
O vereador Beto Castro (MDB) reassumiu suas atividades na Câmara Municipal de São Luís nesta terça-feira, participando ativamente da sessão plenária. O parlamentar havia sido preso preventivamente no início da semana durante uma operação que investiga o suposto desvio de R$ 9,6 milhões em emendas parlamentares voltadas para projetos sociais.
A liberação do parlamentar ocorreu após uma decisão da juíza Larissa Rodrigues Tupinambá, da 1ª Central de Garantias e Inquéritos da Comarca de São Luís. De acordo com a magistrada, embora a apreensão de uma arma de fogo na residência do vereador configure um fato grave, o que motivou sua prisão em flagrante por posse ilegal de arma de fogo, não foram identificados elementos jurídicos suficientes que justificassem a manutenção da prisão preventiva.
Ao retornar ao Palácio Pedro Neiva de Santana, Beto Castro foi recepcionado por parte dos parlamentares da Casa Legislativa.
Durante o expediente, o vereador fez uso da palavra no plenário para se defender e focar em pautas da cidade. Castro aproveitou o momento para reforçar a relevância da Lei de Zoneamento Urbano, pedindo o apoio dos colegas para dar celeridade ao projeto.
"Queria que vossas excelências, junto com toda a presença do plenário, não deixassem mais adiar essa votação, que é tão importante para a nossa cidade e a gente precisa entregar esse zoneamento votado", declarou Beto Castro em plenário.
Uma audiência pública sobre o tema estava inicialmente prevista para a última segunda-feira, mas acabou sendo adiada.
Apesar do retorno de Castro, o clima nos bastidores da Câmara Municipal evidenciou o racha na base e a disputa direta pela composição da próxima Mesa Diretora da casa. O vereador Marquinhos (União Brasil), que concorre com Beto Castro por espaços de poder na próxima legislatura, subiu à tribuna e proferiu um discurso com duras críticas veladas.

Em tom de desabafo e utilizando uma metáfora bíblica, Marquinhos questionou a postura de aliados no parlamento.
"Qual é o fim de quem age com o espírito que agiu na vida de Judas Iscariotes? Quem age da forma que Judas Iscariotes agiu, entregando Jesus por algumas moedas de prata?", indagou o parlamentar.
Direcionando-se à vereadora Thyago Freitas, Marquinhos concluiu sua fala ressaltando o peso das ações políticas dentro da Casa:
"Nós sabemos que a conta que chega no final de todo traidor é uma conta muito pesada. Porque Deus não dorme. Existe a lei da semeadura: você colhe aquilo que você planta."
A Mesa Diretora da Câmara acompanha os desdobramentos das investigações e a situação jurídica de Beto Castro, enquanto as articulações políticas internas prometem se intensificar nos próximos dias.
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