
O Instituto de Prevenção do Câncer (IPC), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), inicia nesta semana o rastreamento do câncer do colo do útero por meio do teste de DNA-HPV, nova tecnologia que permite a detecção do vírus causador da doença com maior precisão e antecedência. Os primeiros exames já começaram a ser processados e os laudos serão emitidos nos próximos dias.
A implantação do novo modelo marca uma etapa importante na prevenção do câncer do colo do útero no Ceará, doença causada principalmente pela infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV) e evitável por meio da vacinação, do rastreamento adequado e do tratamento das lesões identificadas em fase inicial. O novo teste identifica a presença de 14 genótipos do vírus associados ao desenvolvimento da doença, permitindo reconhecer pessoas infectadas antes mesmo do surgimento de alterações celulares.
“A meta é a eliminação do câncer de colo uterino como problema de saúde pública”, afirma a diretora técnica do IPC, Lourdes Reis. “Para atingir essa meta, o objetivo é rastrear 80% da população-alvo do estado em até 5 anos”, explica a diretora. Atualmente, o câncer do colo do útero é o terceiro tipo mais incidente entre mulheres no Brasil.
Além de ampliar a capacidade de identificação precoce da doença, a estratégia possibilita intervalos maiores entre os exames quando o resultado for negativo, reduzindo procedimentos desnecessários e fortalecendo o acesso ao diagnóstico precoce na rede pública de saúde. O novo modelo de rastreamento substituirá gradativamente o exame citopatológico Papanicolau como principal método de rastreio. O exame continuará sendo utilizado para confirmação de casos em que o teste DNA-HPV apresentar resultado positivo.
O público-alvo do rastreamento organizado são as mulheres cisgênero, homens transgênero, indivíduos não binários, de gênero fluido e intersexuais nascidos com sistema reprodutivo feminino. Em etapa inicial, o novo modelo de rastreamento contempla oito municípios cearenses com menos de 10 mil habitantes: São João do Jaguaribe, General Sampaio, Arneiroz, Itaiçaba, Palhano, Guaramiranga, Baixio e Umari.

A escolha por municípios com menos de 10 mil habitantes busca facilitar o acompanhamento do processo, identificar possíveis dificuldades e realizar ajustes antes da expansão para outros territórios (Foto: Thiago Andrade)
A implementação do teste molecular de DNA-HPV no Ceará tem participação direta da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), por meio da Coordenadoria de Atenção Primária à Saúde, em articulação com o Instituto de Prevenção do Câncer do Ceará (IPC) e os municípios selecionados. A atuação envolve desde as reuniões de planejamento e escuta de experiências de outros estados até a organização dos fluxos necessários para que a nova estratégia de rastreamento seja incorporada à rotina das equipes.
A escolha por municípios menores busca facilitar o acompanhamento do processo, identificar possíveis dificuldades e realizar ajustes antes da expansão para outros territórios. Segundo a assessora técnica da Coordenadoria de Atenção Primária e Promoção da Saúde da Sesa, Ana Beatriz Pinheiro, a mudança também exige orientação à população, especialmente sobre a nova periodicidade do exame, que pode ser realizado a cada cinco anos quando o resultado for negativo.
De acordo com a assessora técnica, a participação dos municípios e das equipes de saúde é fundamental para o sucesso da estratégia. “Estamos construindo esse processo de forma articulada com os territórios, preparando os profissionais e organizando os fluxos para garantir que as mulheres tenham acesso a um exame mais sensível e eficaz. Esse momento inicial também é importante para identificar desafios e aperfeiçoar a implantação antes da ampliação para outros municípios”, destaca Ana Beatriz.
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