
A aprovação de uma nova opção terapêutica para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) representa um avanço relevante no tratamento de uma das doenças respiratórias que mais matam no mundo e que ainda permanece amplamente subdiagnosticada no Brasil. O medicamento Nucala (mepolizumabe), já utilizado em doenças associadas à inflamação eosinofílica, passa agora a ser indicado também para pacientes adultos com DPOC não controlada associada à inflamação tipo 2.
A nova indicação contempla pacientes que continuam apresentando exacerbações — crises respiratórias moderadas ou graves — mesmo em uso da chamada terapia tripla inalatória, combinação de corticosteroide inalatório (ICS), broncodilatador beta-agonista de longa duração (LABA) e antagonista muscarínico de longa duração (LAMA).
A decisão regulatória foi baseada nos resultados do estudo internacional de fase III MATINEE, publicado no New England Journal of Medicine, que avaliou pacientes com DPOC e evidência de inflamação tipo 2 identificada por níveis elevados de eosinófilos no sangue. O estudo demonstrou redução estatisticamente significativa e clinicamente relevante das exacerbações moderadas e graves, além da diminuição de eventos que resultaram em hospitalizações e atendimentos de emergência.
Especialistas destacam que essas exacerbações estão entre os principais fatores associados à progressão acelerada da doença, piora da função pulmonar e aumento do risco de mortalidade. "A DPOC é uma doença heterogênea, e parte importante dos pacientes apresenta inflamação tipo 2 associada a crises recorrentes e pior prognóstico. A chegada de uma terapia biológica direcionada amplia a possibilidade de tratamentos mais personalizados, baseados em biomarcadores e no perfil inflamatório do paciente", afirma Luciana Giangrande, diretora médica da GSK Brasil.
Doença ainda é subdiagnosticada no país
Caracterizada por obstrução persistente das vias aéreas, a DPOC inclui condições como bronquite crônica e enfisema pulmonar. Os sintomas mais comuns são falta de ar progressiva, tosse crônica e produção excessiva de secreção.
Apesar da elevada carga da doença, especialistas alertam que o diagnóstico ainda ocorre tardiamente no Brasil. Estimativas apontam que aproximadamente 15 milhões de brasileiros convivem com a doença, mas cerca de 70% dos casos permanecem sem diagnóstico formal. A DPOC já figura como a quinta principal causa de morte no país.
Terapia atua na inflamação eosinofílica
O mepolizumabe é um anticorpo monoclonal que bloqueia a ação da interleucina-5 (IL-5), proteína diretamente envolvida no processo inflamatório tipo 2. Ao reduzir os níveis de eosinófilos, o tratamento atua sobre um dos mecanismos associados às exacerbações em determinados perfis de pacientes.
A medicação já possui aprovação regulatória no Brasil para outras doenças inflamatórias mediadas por eosinófilos, como asma eosinofílica grave, granulomatose eosinofílica com poliangeíte (GEPA), síndrome hipereosinofílica e rinossinusite crônica com pólipos nasais.
Para Olavo Corrêa, presidente da GSK Brasil, a nova aprovação é um marco para pacientes que continuam sofrendo com crises respiratórias apesar do tratamento convencional. "Essa aprovação representa um passo importante para pacientes que seguem enfrentando exacerbações mesmo com terapias disponíveis atualmente. Nosso objetivo é contribuir para uma abordagem mais direcionada, reduzindo o impacto da doença na qualidade de vida e também no sistema de saúde", destaca.
Exacerbações elevam risco de hospitalização e mortalidade
As exacerbações da DPOC, também chamadas de "ataques pulmonares", estão entre as principais causas de internação por doenças respiratórias no país. Além de comprometerem a qualidade de vida, esses episódios aceleram a perda da função pulmonar e aumentam significativamente o risco de morte.
Especialistas reforçam que, embora a doença não tenha cura, o manejo adequado, que inclui farmacoterapia, reabilitação pulmonar e acompanhamento médico, pode melhorar a qualidade de vida, retardar a progressão da doença e reduzir o risco de mortalidade.
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