
Um estudo internacional inédito aponta que crianças matriculadas na pré-escola no Ceará, Pará e São Paulo apresentam desempenho em matemática abaixo da média internacional. Os dados fazem parte do Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-estar na Primeira Infância (IELS), conduzido no Brasil por uma coalizão liderada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.
A pesquisa foi realizada entre maio e julho de 2025 com 2.598 crianças de 4 e 5 anos em 89 municípios brasileiros, sendo 29 deles no Ceará. Os resultados indicam que o Brasil ficou próximo da média internacional em literacia, mas registrou desempenho inferior em numeracia, com 456 pontos — abaixo dos 500 da média global e o pior índice entre os dez indicadores avaliados.
O estudo diferencia literacia emergente (habilidades relacionadas à linguagem, vocabulário e compreensão oral) e numeracia emergente (noções de números, medidas, padrões e formas). Enquanto a primeira área apresenta resultados mais próximos do padrão internacional, a segunda aparece como principal ponto de atenção.
A pesquisa também evidencia desigualdades significativas no desempenho das crianças. Alunos de nível socioeconômico alto alcançaram 484 pontos em numeracia, enquanto aqueles de nível baixo ficaram em 429. As diferenças também aparecem quando considerados recortes raciais e de gênero, com maior disparidade entre meninos pretos, pardos e indígenas de baixa renda e meninas brancas de maior renda.
Segundo os pesquisadores, embora o estudo não traga recorte específico por estado, a amostragem semelhante entre Ceará, Pará e São Paulo permite relacionar os resultados ao cenário educacional dessas regiões. No caso do Ceará, os dados reforçam preocupações já identificadas em avaliações posteriores, como o Spaece, que apontam níveis “críticos” de aprendizagem em matemática no ensino fundamental.
O IELS é desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e avalia diferentes dimensões do desenvolvimento infantil. Esta é a primeira participação do Brasil no estudo, que também envolve países como Coreia do Sul, China e Holanda.
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