
O diplomata Marcelo Otávio Dantas Loures da Costa recebeu, nesta quinta-feira (17), o aval da Comissão de Relações Exteriores (CRE) para chefiar a embaixada brasileira no Catar, após ser sabatinado pelos senadores. O colegiado aprovou a Mensagem (MSF) 54/2023 , enviada pela Presidência da República e relatada pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). A indicação agora será analisada pelo Plenário.
Dantas, que é diplomata desde 1988, recebeu 12 votos favoráveis e nenhum contrário. Ele foi um dos cinco servidores de carreira do Itamaraty que foram sabatinados na reunião da CRE para postos diferentes.
O relator constatou que o diplomata estará em um país que tem aumentado sua participação no cenário global.Seu comércio bilateral com o Brasil tinha, na virada do século, apenas U$ 30 milhões. Em 2022, esse número chegou a U$ 1,6 bilhão.
— O Catar é um país que vem avançando em passos céleres na comunidade internacional pelos seus investimentos e pelas relações que têm estabelecido com o resto do mundo, em particular com nosso país — disse Mourão, lembrando de eventos como a Copa do Mundo de 2022.
Dantas reforçou o crescimento do país árabe. Segundo ele, o conglomerado de notícias Al Jazeera e a companhia aérea Qatar Airlines demonstram a presença do país no comércio mundial.
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que presidiu a reunião, questionou a perspectiva do Brasil diante do aumento de investimentos catarianos em outros países.
— O que o Brasil pode fazer visando a ampliação do interesse das autoridades catarianas para investir no nosso país?
Segundo o diplomata, questões tributárias e divergências sobre soluções de possíveis conflitos atrapalham um maior investimento do país no Brasil. Para ele, a posição brasileira nesses assuntos causa insegurança jurídica no país do golfo pérsico.
— É importante avançar em um acordo para evitar a dupla tributação. A Receita Federal do Brasil recebeu contraproposta de acordo que está em analise (...). E [é importante] um acordo na área de facilitação de investimento. O Catar prefere acordos que têm modelos de solução de controvérsias entre estado e investidor. O Brasil propõe mais mecanismos de solução sem contencioso. Pretendo trabalhar para que [essas diferenças] sejam superadas. Estive ontem com o embaixador do Catar e ele enfatizou esses dois temas — informou Dantas.
O diplomata também explicou a diminuição de importações brasileiras ao país árabe ocorrida no início do ano. Para ele, a queda não significa menos oportunidades.
— No primeiro trimestre, houve queda no comércio bilateral provocada por dois fatores principais. Primeiro, interrupção temporária [da exportação brasileira] de carne bovina, na sequência do incidente sanitário na área do Pará [suspeita da doença conhecida como “mal da vaca louca”]. Isso já foi resolvido. Outro fator foi um ajuste de estoque do Catar, que passou por quatro anos de embargo de alguns vizinhos. Em 2023, houve ajuste do estoque, [pois] com a relação normalizada [com vizinhos] não havia necessidade de estoques tão elevados. Mas há potencial grande de exportação brasileira, sobretudo no agronegócio — avaliou.
Dantas também espera aumento em acordos na área da defesa. Segundo o diplomata, o Catar é o sexto país que mais importa armamentos no mundo e um dos que mais investem em defesa nacional. Apesar disso, o diplomata afirmou que o país mantém posição equilibrada em suas relações com outras nações.
— O Catar preza por manter posição de equilíbrio na rivalidade entre Arábia Saudita e Irã, [possui] uma proximidade com a Turquia, oferece importante apoio político e financeiro à população palestina. Mantém diálogo com os principais países da América Latina, Ásia e África...
O Catar é um pequeno estado localizado no Golfo Pérsico, com cerca de três milhões de habitantes, dos quais quase 90% estrangeiros. Seu regime de governo é a monarquia. O país tornou-se independente em 1971 e três anos depois já havia estabelecido relações diplomáticas com o Brasil.
Em seu relatório, Mourão destaca que o Catar tem a maior renda per capita do mundo (cerca de US$ 65 mil por ano) e é o maior exportador de gás natural liquefeito do Planeta, atividade da qual provém 65% da renda nacional.
O Itamaraty estima que haja cerca de US$ 7 bilhões de investimentos do Catar no Brasil, com participação em empresas aéreas, bancos, grupos educacionais, editoras e em projetos de agricultura e petróleo.
Nascido no Rio de Janeiro em 1963, Dantas graduou-se em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e fez, na mesma instituição, o curso de pós-graduação em Economia Industrial.
O diplomata desempenhou funções nas missões brasileiras na Venezuela, nos Estados Unidos, no México e em Portugal e já exerceu cargos em ministérios, na Câmara dos Deputados e no Senado. Dantas tem diversos artigos publicados em jornais como Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e Correio Braziliense.
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