
A crise envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos e elevou a temperatura entre os Três Poderes. Cresce, nos bastidores de Brasília, a possibilidade de que, pela primeira vez, o afastamento de um integrante da Corte seja efetivamente analisado pelo Senado em meio a um ambiente descrito como “tempestade perfeita”.
Tempestade no Supremo
O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso envolvendo o Banco Master após reunião no Supremo Tribunal Federal. O gesto, interpretado como tentativa de conter danos, não arrefeceu a pressão.
Embora Alexandre de Moraes seja recordista em número de pedidos de impeachment no Senado, é Toffoli quem hoje enfrenta o cenário mais delicado. Avaliações internas indicam que o desgaste político e institucional se aprofundou com o avanço das investigações relacionadas ao Banco Master.
Caso Banco Master e o pedido da PF
A crise se intensificou após a Polícia Federal pedir a suspeição de Toffoli, apontando suposto envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Mensagens encontradas em celular apreendido pela PF mencionariam o ministro em conversas entre o empresário e terceiros. Toffoli nega qualquer relação de amizade ou vínculo comercial com o banqueiro.
O episódio ampliou o mal-estar dentro do STF e agravou o desgaste do ministro fora da Corte. Interlocutores das cúpulas dos Três Poderes afirmam que ele não é hoje um nome com ampla base de apoio político — fator decisivo em eventual processo no Senado.
Desgaste com Legislativo e Executivo
No Legislativo, Toffoli acumula resistências desde a instauração de ofício do inquérito das Fake News, medida que marcou o início de críticas sobre uma suposta “hipertrofia” do Supremo. Além disso, seus votos considerados centrais para a revisão de decisões da Operação Lava Jato ampliaram tensões com setores do Congresso.
No Executivo, o cenário também não seria confortável. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), responsável por sua indicação ao STF em 2009, manteria divergências antigas e teria protagonizado um desentendimento recente com o ministro em reunião sobre o caso Master.
Ano eleitoral e risco institucional
Em ano eleitoral, o caso ganha peso adicional. A desconfiança da sociedade em relação a instituições como o STF, o Banco Central e a Polícia Federal pode contaminar o ambiente político e fortalecer discursos oposicionistas.
Impactos na composição da Corte
Uma eventual abertura de processo de impeachment contra Toffoli teria repercussões diretas na composição do Supremo. A cassação abriria nova vaga na Corte, reacendendo disputas por indicação.
Nos bastidores, comenta-se que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), poderia negociar a indicação de seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSD), além de viabilizar a aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga já existente no STF.
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