
Os exportadores de mel do Piauí, estado brasileiro que mais exporta o produto, começaram 2025 com otimismo, mas o ano foi marcado por uma reviravolta após o setor enfrentar o anúncio da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos, imposta pelo governo de Donald Trump a partir de agosto.
A medida desestabilizou o mercado, provocou o cancelamento de centenas de toneladas em vendas e deixou milhares de famílias de apicultores em situação de alerta para o próximo ano.
Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), o primeiro semestre fechou com um crescimento de 9% nas exportações em relação ao mesmo período de 2024. No entanto, o cenário mudou drasticamente em julho com o anúncio das novas taxas americanas.
Os Estados Unidos são o principal destino do mel brasileiro, consumindo cerca de 80% da produção nacional. Com o chamado "tarifaço", o crescimento acumulado transformou-se em queda. Entre janeiro e novembro de 2025, as exportações já estavam 6% abaixo do registrado no ano anterior.
Impacto direto no Piauí
O Piauí, que liderou o ranking de exportação de mel para os EUA em 2024, sentiu o golpe rapidamente. No estado, o setor é responsável pela renda de mais de 40 mil famílias.
Grandes empresas e cooperativas relataram prejuízos imediatos:
· • O Grupo Sama, em Oeiras, teve a venda de 585 toneladas cancelada logo após o anúncio da tarifa.
· • A Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), em Picos, registrou o travamento de 152 toneladas, gerando um prejuízo estimado em R$ 2,5 milhões em apenas 15 dias.
O impacto chegou também ao campo. O preço pago ao produtor pelo quilo do mel, que era de R$ 18,50, caiu para cerca de R$ 15,00 em algumas regiões. Diante disso, apicultores chegaram a adiar a colheita na esperança de uma melhora nos preços.
Busca por novos mercados
Para tentar contornar a dependência do mercado americano, exportadores intensificaram a busca por novos compradores na Europa e na Ásia. Países como Alemanha, Holanda, Canadá e Japão entraram no radar estratégico do setor.
"O mundo busca por alimentos saudáveis, com origem rastreável e impacto ambiental e social positivo. O mel brasileiro — especialmente o orgânico — está perfeitamente posicionado para esse mercado", afirmou Samuel Araújo, CEO do Grupo Sama.
Expectativas para 2026
O setor entra em 2026 com um sentimento de incerteza. Embora alguns compradores americanos tenham aceitado arcar com a tarifa de 50% em contratos que valiam até dezembro de 2025, a renovação desses acordos para o novo ano é difícil.
Além das barreiras comerciais, fatores climáticos também preocupam. Em 2025, problemas com a safra, como a demora no desabrochar das flores devido a uma primavera fria e períodos de seca no Piauí, afetaram a oferta do produto.
Renato Azevedo, presidente da Abemel, define o próximo período como decisivo.
"Tememos pelo ano de 2026 com o tarifaço em vigência. Os exportadores estão com dificuldades na renovação de seus contratos, e a consequência é uma tendência a redução dos preços. 2026 será um ano desafiador em todos os sentidos", declarou.
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