
O encerramento do prazo das convenções partidárias consolidou um cenário de racha absoluto dentro do Avante no Piauí. O que era uma divergência interna escalou para uma severa batalha jurídica pelo comando da sigla, culminando na realização de duas convenções estaduais paralelas e em rumos políticos completamente opostos para o pleito deste ano. Caos diretivo, acusações de infidelidade partidária e candidaturas duplicadas agora colocam o partido sob o risco de uma canetada da Justiça Eleitoral.
De um lado da trincheira está o servidor público Gustavo Henrique, que presidia a comissão provisória do partido desde março. Apoiado por uma decisão liminar obtida na Justiça Eleitoral, Gustavo Henrique contesta o encerramento abrupto de seu mandato pela Executiva Nacional. Ele realizou sua convenção partidária no fim de julho, oficializando-se como candidato ao Governo do Piauí, além de lançar Pastor Sena e Irmão Zé Freire ao Senado. Gustavo Henrique acusa abertamente seus opositores locais de "infidelidade partidária" por apoiarem nomes de outras siglas.
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Do outro lado, respaldado diretamente pela Executiva Nacional do Avante, figura o ex-vereador de Teresina Antônio José Lira, nomeado vice-presidente de uma nova junta provisória encabeçada por Adiel Rodrigues Brito. Ignorando os atos de Gustavo Henrique, o grupo de Antônio José Lira realizou uma segunda convenção, anunciando uma aliança majoritária com o Partido Novo. Nessa composição, o Avante formalizou o apoio a Elizeu Aguiar (Novo) para governador e registrou o próprio Antônio José Lira como candidato ao Senado na chapa de oposição.

O racha no Avante gera impactos profundos e imediatos na arquitetura política do Piauí:
Como o prazo de registro final vai até o dia 15 de agosto, caberá ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PI) julgar qual das duas atas partidárias possui validade jurídica. Se a convenção de Gustavo Henrique for anulada, o partido perde o candidato ao governo; se a de Antônio José Lira cair, desmorona-se a coligação montada com o Novo.
Pré-candidatos a deputado federal e estadual que se filiaram ao partido encontram-se em um limbo, sem saber se suas candidaturas serão homologadas ou impugnadas devido à duplicidade de comandos.
O racha fragmenta a legenda entre a base governista local (com a qual Gustavo Henrique buscava pontes de diálogo) e o bloco de oposição conservadora (capitaneado pela aliança entre Antônio José Lira e o Novo).
Com o imbróglio jurídico e a aliança firmada entre Avante e Novo, a participação de Gustavo Henrique está formalmente cancelada para o primeiro debate na televisão piauiense entre os candidatos ao Governo do Piauí, promovido pela TV Band Piauí. O confronto direto acontecerá ao vivo.
Enquanto o primeiro embate na TV não começa, os bastidores jurídicos de Teresina continuam fervendo. Apenas a canetada final da Justiça Eleitoral definirá se o Avante marchará rumo às urnas com cabeça de chapa própria ou como coadjuvante na oposição.
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