
O Maranhão foi o segundo estado brasileiro a apresentar o maior crescimento proporcional no número de pessoas desaparecidas em 2025. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quinta-feira (23), o estado registrou 1.182 ocorrências no ano passado — um salto de 29,8% em relação às 910 notificações de 2024.
Com este percentual, o Maranhão ficou atrás apenas de Minas Gerais, que liderou a alta nacional com 30,5%, e à frente do Piauí, que ocupou a terceira posição com avanço de 20,5%. Em todo o Brasil, os registros de desaparecimentos subiram 3,6%, totalizando 84.269 casos e uma taxa média de 39,5 ocorrências por 100 mil habitantes.
Especialistas e o relatório do FBSP ressaltam que o aumento de casos não pode ser reduzido a um único fator, envolvendo motivações sociais, de vulnerabilidade e dinâmicas criminais. De acordo com a legislação brasileira (Lei nº 13.812/2019), considera-se desaparecida qualquer pessoa cujo paradeiro seja desconhecido, sem a necessidade de prazos mínimos para a formalização da queixa na polícia.
A falta de confirmação sobre a localização da vítima impõe um desgaste psicológico contínuo aos familiares. Citado pelo relatório, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) aponta que a principal característica do desaparecimento é a "incerteza permanente", que impede a elaboração do luto e gera quadros profundos de ansiedade e sofrimento emocional.
Um dos casos que ilustra essa estatística no estado é o dos irmãos Ágatha Isabelly (6 anos) e Allan Michael (4 anos), vistos pela última vez em janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (MA).
Apesar de mobilizações terrestres e aéreas com policiais, bombeiros, helicópteros, drones e mais de 2 mil voluntários, os irmãos seguem sem paradeiro confirmado. A Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) informou que o inquérito continua em aberto por meio de uma comissão especial de investigação.
Ágatha Isabelly e Allan Michael, crianças desaparecidas há seis meses.
Em contrapartida ao avanço nos desaparecimentos, o Maranhão acompanhou a tendência nacional de queda nas Mortes Violentas Intencionais (MVI). O estado registrou 2.082 vítimas em 2025, contra 2.126 em 2024 — uma redução de 2,2%.
O indicador abrange homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.
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