
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta terça-feira (16/6), a terceira fase da Operação Bypass, que investiga uma organização criminosa especializada em invadir o sistema informatizado do Detran-DF para apagar multas, alterar débitos de veículos e regularizar ilegalmente carteiras de habilitação suspensas ou cassadas.
Segundo a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), responsável pelas investigações, o esquema funcionava mediante pagamento realizado pelos próprios beneficiários.
A organização oferecia os serviços de forma aberta nas redes sociais, utilizando perfis com dezenas de milhares de seguidores para captar clientes interessados em limpar pendências junto ao órgão de trânsito.
Nesta nova fase da operação, três pessoas foram presas temporariamente por determinação da 7ª Vara Criminal de Brasília. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão e medidas de bloqueio de bens, contas bancárias e criptoativos. O valor total das restrições patrimoniais chega a R$ 12,06 milhões.
De acordo com a investigação, a organização possuía uma estrutura profissionalizada e hierarquizada. A primeira fase teve como alvo os integrantes da cúpula, responsáveis pelo desenvolvimento e operação do aplicativo utilizado para explorar vulnerabilidades do sistema do Detran.
Na segunda etapa, a polícia avançou sobre os responsáveis pela comercialização dos serviços ilícitos. Agora, a terceira fase mira agenciadores, coordenadores e operadores financeiros encarregados de recrutar clientes e movimentar os valores obtidos com as fraudes.
Ao longo das três etapas da Operação Bypass, nove pessoas já foram presas. As apurações apontam que os recursos obtidos eram ocultados por meio de empresas de fachada e da pulverização de transferências bancárias entre integrantes do grupo.
A PCDF estima que a organização movimentava cerca de R$ 134 mil por dia e causava prejuízos significativos aos cofres públicos do Distrito Federal. Para desvendar o esquema, os investigadores utilizaram monitoramento de redes sociais, ação controlada e análise detalhada do fluxo financeiro dos suspeitos.
Os investigados poderão responder pelos crimes de invasão de dispositivo informático, fraude eletrônica, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas máximas previstas para os delitos podem chegar a 32 anos de prisão.
As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis integrantes do grupo e dimensionar o alcance das fraudes praticadas contra o sistema do Detran-DF.
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