
Após três dias de sessões no Fórum Manoel Florêncio Filho, a Justiça condenou o professor de inglês Leonardo Nascimento Chaves a 41 anos de prisão pelo assassinato de sua esposa, a contadora Kaianne Bezerra Lima Chaves. O crime ocorreu em agosto de 2023, no município de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Apontado como o mandante do crime, Leonardo foi condenado por feminicídio, furto qualificado, corrupção de menores e fraude processual. A pena total foi fixada em 39 anos de reclusão e dois anos de detenção em regime fechado, sem o direito de recorrer em liberdade.
Na mesma sessão, Adriano Andrade Ribeiro, apontado pelas investigações como o executor do assassinato, também foi condenado. Ele recebeu a pena de 37 anos de prisão (35 anos de reclusão e dois anos de detenção), também em regime fechado e sem possibilidade de recorrer em liberdade. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) determinou o cumprimento imediato das penas, e ambos permanecem presos.
O crime aconteceu dentro da residência do casal. Na época, a morte de Kaianne foi apresentada pelos envolvidos como o desfecho trágico de um suposto assalto. A versão inicial sustentava que criminosos haviam invadido o imóvel para roubar bens da família e acabaram assassinando a contadora.
No entanto, as investigações da Polícia Civil desmontaram a narrativa. Os investigadores descobriram que o assalto foi totalmente forjado para encobrir um plano arquitetado por Leonardo, que planejou a morte da esposa com o objetivo de receber um seguro de vida avaliado em cerca de R$ 60 mil.
Para dar credibilidade à farsa e se passar por vítima, o professor chegou a solicitar aos executores que também o agredissem fisicamente durante a ação criminosa. Um dos elementos cruciais para romper a versão do réu foram imagens de câmeras de segurança, que flagraram Leonardo encontrando-se com os executores em um shopping poucas horas antes do assassinato.
Além do marido e do executor, o processo envolveu outros nomes:
Philipe Azevedo de Araújo: Chegou a ser denunciado, mas foi impronunciado pela Justiça devido à falta de provas suficientes para ser submetido a júri popular.
Adolescente (15 anos): Participou diretamente da ação e respondeu no sistema socioeducativo, recebendo a medida socioeducativa máxima de internação por três anos.
O julgamento teve início na última segunda-feira e se estendeu por cerca de 26 horas ao longo de três dias. Durante as sessões, foram ouvidas quatro testemunhas de acusação e três de defesa — outras testemunhas foram dispensadas pelas partes ao longo do processo.
Os dois réus também foram interrogados antes de a sessão avançar para a fase de debates entre a acusação e a defesa, etapa que ultrapassou nove horas de duração até a leitura final da sentença.
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