O avanço dos marketplaces e das plataformas digitais no Brasil tem impulsionado uma mudança estrutural na forma como empresas gerenciam seus fluxos financeiros, e o crescimento do split de pagamentos é um dos principais sinais desse movimento. Na Tuna Pagamentos, o número de transações com split chegou a 74,5 milhões em 2025, aumento de cerca de 80% em relação ao ano anterior, enquanto o TPV atingiu R$ 8,6 bilhões (Total Payment Volume, ou volume total de pagamentos processados), refletindo a força da solução, especialmente em setores como varejo, moda e delivery, onde a automação de repasses e a redução de riscos operacionais se tornaram prioridades.
Para o público geral, o conceito pode parecer técnico, mas é simples na prática. O split de pagamentos é a divisão automática do valor da compra entre todos os envolvidos naquela venda. Em vez de o dinheiro cair primeiro na conta de uma empresa para depois ser redistribuído manualmente, o sistema já separa e envia cada parte diretamente para quem tem direito, como o lojista, a plataforma e outros parceiros.
Esse avanço é puxado principalmente por setores como varejo, moda, saúde e, com destaque, os serviços de delivery de comidas e bebidas, que operam com múltiplos participantes em uma única transação e demandam divisão automática de valores. Modelos como marketplaces, franquias, operações com afiliados, ship from store e cardápios online passaram a depender diretamente desse tipo de tecnologia para garantir escalabilidade sem aumentar o custo operacional.
O split de pagamentos funciona com uma configuração de regras específicas para cada operação, definindo percentuais, taxas e prazos de repasse. A partir disso, no momento da compra, o sistema identifica automaticamente os valores devidos a cada parte, desconta comissões e royalties e direciona os recursos de forma imediata ou conforme gatilhos personalizados, como a entrega do produto. Os valores ficam sob custódia inteligente e podem ser liquidados em diferentes prazos, como D+0, D+1 ou D+N (prazo em dias para liberação do valor), de acordo com a necessidade do cliente.
Além de eliminar a dependência de processos manuais e planilhas, o modelo reduz riscos operacionais relevantes. Empresas que centralizam o recebimento para depois redistribuir os valores enfrentam desafios como erros de conferência, aumento de custo financeiro e até risco de bitributação, já que podem ser tributadas sobre o valor bruto da transação e não apenas sobre sua comissão. Com o split automatizado, esse risco é mitigado, preservando a rentabilidade do negócio. Em operações de franquia, por exemplo, contribui para reduzir a inadimplência ao permitir que royalties sejam descontados diretamente na transação.
Outro fator que impulsiona a adoção do split no país é o ambiente regulatório. A Lei Complementar nº 214/2025, especialmente entre os artigos 32 e 36, trouxe novas diretrizes que aumentam a responsabilidade das empresas que intermediam pagamentos, o que tem levado a buscar soluções terceirizadas para garantir a conformidade. Ao mesmo tempo, o combate à fraude e a necessidade de transparência nas relações entre marketplaces e sellers reforçam a importância de sistemas que ofereçam visibilidade total sobre os valores líquidos de cada participante.
A tecnologia da Tuna se caracteriza pela flexibilidade e capacidade de adaptação a diferentes modelos de negócio. A solução permite desde divisões com múltiplos participantes sem limite de sellers até configurações mais complexas, como comissões negativas em campanhas promocionais, antecipação de repasses para diferentes partes e definição de prazos e frequências de liquidação personalizadas. A integração com plataformas também é ampla, com API aberta que permite conexão com marketplaces, ERPs e soluções SaaS.
"Estamos acompanhando uma transformação estrutural no mercado, em que empresas deixam de atuar como intermediárias financeiras e passam a operar com modelos mais eficientes, seguros e alinhados à regulação, e o split de pagamentos se consolida como peça central dessa evolução, especialmente em segmentos como delivery e marketplaces, que exigem escala e precisão nos repasses", afirma Alex Tabor, CEO da Tuna Pagamentos.
A tendência é que esse movimento se intensifique nos próximos anos. Com o surgimento de novos meios de pagamento, modelos de crédito e exigências regulatórias cada vez mais rigorosas, o split deve se tornar padrão em operações que envolvem múltiplos participantes. Além disso, com a constante evolução das fraudes digitais, soluções que combinam automação, inteligência e controle financeiro tendem a ganhar mais relevância no ecossistema brasileiro de pagamentos.
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