
A presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), enviou, nessa quarta-feira (13), ofícios à Polícia Federal e à Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) para cobrar explicações sobre vídeos publicados nas redes sociais com informações falsas sobre o desaparecimento de duas crianças em Bacabal, a 250 km de São Luís.
O caso envolve os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, que desapareceram no dia 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos. Um terceiro menino que estava com eles e foi encontrado com vida em uma área de mata logo após o desaparecimento.
Segundo levantamento da comissão, perfis com milhares de seguidores nas redes sociais têm espalhado a versão de que as crianças teriam sido encontradas. As publicações também afirmam, sem comprovação, que elas seriam vítimas de uma rede internacional de tráfico de órgãos. O conteúdo cita, ainda, falsos confrontos armados entre policiais e criminosos e mortes de bombeiros.
Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (14), Damares afirmou que a comissão quer uma resposta oficial do governo do Maranhão e da polícia para pedir a remoção dos conteúdos às plataformas digitais.
“Nós queremos oficialmente uma resposta das autoridades para que a gente possa pedir à Meta e às outras plataformas a retirada imediata desses vídeos, que estão trazendo uma informação que não só assusta a sociedade como não é verdadeira, conforme conversa com o Maranhão. E detalhe: atrapalha na busca dessas crianças, que podem estar em qualquer lugar do Brasil”, declarou a senadora.
Procurada pelo g1, a SSP-MA ainda não se manifestou sobre o ofício enviado pelo Senado.
Questionamentos
No ofício enviado ao superintendente regional da Polícia Federal no Maranhão, Guilherme Augusto Nunes, e à secretária de Segurança Pública do estado, a coronel Maria Augusta Ribeiro, a senadora faz alguns questionamentos sobre o caso.
Damares pede que as autoridades informem se houve alguma operação policial com localização de cativeiro, se existe investigação formal sobre tráfico internacional de órgãos e se ocorreu a morte de agentes públicos envolvidos nas buscas.
A parlamentar também questiona se o governo e a polícia estão monitorando, no âmbito das investigações, os perfis responsáveis pela divulgação dos conteúdos.
Segundo a comissão, as publicações podem representar risco de “desinformação, alarmismo social, interferência em investigações ou possível divulgação de informações falsas”.
A Comissão de Direitos Humanos ressalta que as informações citadas nos ofícios têm como base conteúdos que circulam publicamente na internet. O colegiado afirma que isso não significa que o Senado reconheça a veracidade das publicações.
Caso monitorado
Segundo o Senado, o desaparecimento das crianças em Bacabal é acompanhado pela Comissão de Direitos Humanos desde o início do ano. Em 2 de março, o colegiado realizou uma audiência pública para discutir protocolos de busca imediata.
Além disso, foi aprovado recentemente um requerimento, de autoria da senadora Damares Alves, para a realização de uma diligência externa no Maranhão. O objetivo é acompanhar as investigações no local, visitar a área onde o caso ocorreu e fazer reuniões com a cúpula da segurança pública do estado.
Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desapareceram no dia 4 de janeiro após saírem para brincar no Quilombo São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. Quatro meses depois, o caso segue sem respostas. Em entrevista ao g1, a mãe das crianças, Clarice Cardoso, relata a angústia diante da falta de informações sobre o paradeiro dos filhos.
Até o momento, não há pistas sobre o que aconteceu com as crianças. Familiares e moradores da comunidade relatam frustração com a falta de resultados nas buscas.
"A polícia diz que está fazendo o possível e o impossível para tentar descobrir, mas até agora não há pistas de onde estão os meus filhos", disse a mãe.
Clarice diz que, apesar de a polícia informar que as investigações continuam, as buscas na mata e no rio foram interrompidas.
"Aqui no interior não tem mais buscas. As buscas na mata já pararam faz tempo. Eles dizem que estão investigando, mas até agora não tenho nenhuma notícia dos meus filhos", desabafou.
Com o desaparecimento das crianças, foi enviada uma força-tarefa à cidade. Bombeiros, policiais militares, delegados e investigadores se uniram a cerca de 2.000 pessoas nas buscas, realizadas por terra e água. Apesar do apoio de helicópteros e drones, as equipes não conseguiram localizar as crianças.
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Em nota, a Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) informou que o inquérito sobre o desaparecimento das crianças ainda não foi concluído. Segundo a instituição, os trabalhos investigativos continuam sendo realizados por uma comissão criada para o caso.
A polícia afirmou ainda que, até o momento, não é possível apontar circunstâncias, responsabilidades ou conclusões definitivas. Também destacou que segue empenhada na elucidação do caso e que todas as informações são devidamente checadas.
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