
Para trazer mais inclusão para a população surda, a Sesa possui um Núcleo de Acessibilidade dentro da sua Assessoria de Comunicação
João William Soares, de 14 anos, morador de Caucaia, sofre com problemas renais desde que nasceu e em dezembro de 2022, se submeteu a um transplante no Hospital Geral de Fortaleza (HGF). Durante a recuperação do procedimento, ele sofreu com muitas dores, por uma inflamação devido às complicações da cirurgia e pelos acessos que precisou fazer, para receber os medicamentos por via venosa.
Deficiente auditivo, sua família solicitou atendimento com intérprete de Libras naquela unidade hospitalar e isso fez toda a diferença na sua recuperação. É o que garante a mãe, a manicure Elisangela Soares: “meu filho só se sentiu seguro quando conversou em Libras sobre os procedimentos médicos com a intérprete. Soubemos do serviço através da assistente social do HGF. Isso o deixou tranquilo, porque antes ele não entendia muito bem o que precisava ser feito e nem porque tinha voltado ao hospital depois da cirurgia”, relata.
O adolescente vai precisar fazer acompanhamento pelo resto da vida e, mensalmente, também é atendido por um psicólogo naquela unidade hospitalar. “Ter um intérprete de libras ajuda muito ele a ser entendido tanto pelos médicos e enfermeiros, como também pelo psicólogo”, destaca a mãe de João William.
Para ajudar pessoas como o adolescente João William e trazer mais inclusão para a população surda, a Sesa possui um Núcleo de Acessibilidade dentro da sua Assessoria de Comunicação. A iniciativa partiu da Secretaria Executiva de Políticas de Saúde (Sepos) para ofertar um atendimento inclusivo, pautado no respeito à Língua Brasileira de Sinais (Libras) e possibilitando a oferta de um atendimento igualitário e de qualidade.

Os intérpretes possibilitam que a informação chegue à pessoa surda ou com deficiência auditiva, na sua integralidade
A equipe de intérpretes faz o acompanhamento dos atendimentos de pacientes surdos em todas as unidades de saúde vinculadas à Sesa e qualquer profissional da saúde pode solicitar o serviço nesses locais. Segundo a intérprete de Libras da Sesa, Luanna Souza, desde 2020, quando esse trabalho foi iniciado, cerca de 2.800 pessoas com surdez ou deficiência auditiva já receberam atendimento.
A equipe da Sesa também executa a gravação das janelas de Libras e outros materiais. Alguns eventos presenciais também contam com a tradução e interpretação em Libras.

Os intérpretes possibilitam que a informação chegue à pessoa surda ou com deficiência auditiva, na sua integralidade, fazendo com que seja possível uma compreensão clara do que está sendo abordado, tal e qual ouvimos e recebemos informações a todo instante, via canal auditivo. “São os intérpretes que tornam possível uma inclusão verdadeira e de qualidade, respeitando as diferenças linguísticas existentes e possibilitando que a comunidade surda se expresse em pé de igualdade com ouvintes e usuários da Língua Portuguesa, proporcionando um atendimento respeitoso e adequado no serviço mais primordial que existe: a saúde”, pontua Luanna Souza.
Oficializado em 2008, o Dia do Surdo, no Brasil, comemorado no dia 26 de setembro, foi escolhido por ser essa a data da fundação da primeira escola de surdos no país: o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). Fundado em 1857, no Rio de Janeiro, o Instituto segue em atividade.
Entre as ações desenvolvidas pela Secretaria da Saúde do Ceará para a inclusão dos deficientes auditivos, está ainda o perfil do Instagram em Língua de Sinais da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa), @saudecearalibras, que disponibiliza informações atualizadas, notícias e tudo o que diz respeito à saúde no Estado. Assim como no Instagram oficial da Secretaria da Saúde @saudeceara, o objetivo é manter a população informada de forma inclusiva e acessível. O perfil em Libras é especialmente dedicado à comunidade surda, proporcionando acesso às informações de saúde na sua língua primária.
Outro produto que contribui nesse sentido é o Guia de Acessibilidade para Pessoas Surdas ou com Deficiência Auditiva. Lançado em maio, o documento surgiu da necessidade de se ter um entendimento básico de alguns sinais que são utilizados no momento do atendimento hospitalar de urgência/emergência. A intenção é estabelecer uma comunicação simples em que um profissional da Saúde (que não tem conhecimento em Libras) possa atender um paciente surdo em um curto período de tempo.
Trata-se de uma espécie de glossário com a tradução do português para Libras das palavras mais utilizadas nos atendimentos de saúde, como febre, dor, internação, infecção, pressão alta, fratura e medicação. O Guia é ilustrado com fotos dos movimentos de cada verbete e suas respectivas descrições em texto. O guia está disponível no site da Sesa para download em versões digital e para impressão, além dos vídeos de cada tradução.
O material reúne, ainda, dicas para aprimorar a comunicação com pessoas surdas ou com algum grau de deficiência auditiva. Algumas das recomendações são: falar de frente para o paciente e com a boca visível para possibilitar a leitura labial; usar a expressão facial para a compreensão do tom do que está sendo dito, entre outras.
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