
Há 17 anos, o dia 7 de agosto é lembrado como um grande marco da luta contra à violência doméstica no Brasil. A data, intitulada como o Dia Estadual da Lei Maria da Penha, é um forte instrumento judicial para garantir a proteção de mulheres vítimas de violência doméstica, bem como, punir os agressores. No Ceará, a Polícia Civil tem o objetivo de reforçar os canais de denúncias, além de oferecer todo o aparato disponível, por meio de suas unidades policiais, para que as vítimas recebam o apoio necessário em casos de violência.
A Lei 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, foi criada em homenagem à farmacêutica cearense Maria da Penha Maia Fernandes, de 78 anos. Após um histórico de anos de violência, ela ficou paraplégica. A luta da cearense por Justiça tornou-se um marco pelos direitos das mulheres. Em 2006, o caso foi considerado, pela primeira vez na história, um crime de violência doméstica. Diante disso, a Lei Maria da Penha foi sancionada e criada. Hoje, a lei pune os agressores de mulheres em ambiente intrafamiliar.
Entretanto, muitas mulheres não conhecem os tipos de violência doméstica, e, muitas vezes, não conseguem identificar e romper o ciclo. No que se refere ao trabalho realizado no âmbito da Polícia Judiciária, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE) conta com dez unidades da Delegacia de Defesa da Mulher (DDMs), localizadas em Fortaleza, Maracanaú, Caucaia, Pacatuba, Crato, Iguatu, Juazeiro do Norte, Icó, Sobral e Quixadá. As unidades são responsáveis por receber denúncias e investigar crimes praticados no âmbito doméstico e familiar, além de feminicídios.
Em Fortaleza, o equipamento está instalado dentro da Casa da Mulher Brasileira, que ainda conta com suporte jurídico, psicológico e social. Nos mesmos moldes, existem as Casas da Mulher Cearense em Juazeiro do Norte, Quixadá e Sobral. Em alguns municípios sem a unidade especializada, a PC-CE planeja instalar as Salas Lilás e Núcleos Integrados de Atendimento à Mulher (Nuiams). Já em cidades onde não há unidade especializada da PC-CE, os casos podem ser registrados e investigados pelas delegacias municipais e regionais.
Tipos de violência doméstica
O oitavo mês do ano é dedicado à conscientização pelo fim da violência contra a mulher através da campanha Agosto Lilás, que busca chamar a atenção da sociedade para o tema. A campanha foi criada em referência à Lei Maria da Penha, que em 2023 completa 17 anos, e surgiu para amparar mulheres vítimas de vários tipos de violência como física, sexual, psicológica, moral e patrimonial.
Violência física – Entendida como qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher. Espancamento, atirar objetos, estrangulamento ou sufocamento, lesões com objetos cortantes ou perfurantes, tortura, ferimentos causados por queimaduras ou arma de fogo.
Violência psicológica – É considerada qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima; que prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento da mulher, ou vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões. Segundo especialistas, ela é o início para que ocorram outros tipos de violência. Distorcer e omitir fatos para deixar a mulher em dúvida sobre a sua memória e sanidade (gaslighting), ameaça, constrangimentos, humilhação, manipulação, isolamento familiar e social, perseguição, insultos, exploração, chantagens, insultos, entre outros.
Violência sexual – É qualquer conduta que possa constranger, manter ou participar de relação sexual não desejada mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força. Configura-se por estupro, obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam desconforto ou repulsa, impedindo o uso de métodos contraceptivos ou forçando a mulher a abortar, além de forçar matrimônio, gravidez ou prostituição por meio de coação, por exemplo.
Violência patrimonial – É entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. Quando o suspeito controla o dinheiro da vítima, deixa de pagar pensão alimentícia, destrói documentos pessoais, realiza furtos, extorsão ou dano, estelionato, além de privar bens, valores ou recursos econômicos.
Violência moral – É considerada qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. Acusar a mulher de traição, fazer críticas mentirosas, expor a vida íntima ou desvalorizar a vítima pelo modo de se vestir, entre outros.
Para a mulher, os danos causados à saúde emocional são diversos. A reincidência dos abusos psicológicos podem iniciar uma reação estressada, explosiva, ansiosa e de culpa em relação ao abusador. Inclusive, gerando uma confusão de sentimentos na vítima. Mas, com o passar do tempo, ela pode desenvolver alguns distúrbios como crises de ansiedade, baixa autoestima, retraimento social e, consequentemente, isolamento, podendo evoluir para casos mais graves como a depressão.
A conduta repetitiva da rotina de agressão psicológica faz com que a vítima perca o equilíbrio necessário para ter uma vida saudável. Porém, diferentemente das doenças físicas que provocam sintomas fáceis de identificar, os sinais da violência psicológica são mais difíceis de interpretar. Por isso, é importante a mulher romper o ciclo da violência e denunciar o agressor.
A violência contra a mulher não pode ocorrer de forma velada. A denúncia é o principal meio de evitar o extremo da violência: a morte. Em caso de emergência, o contato deve ser feito por meio do telefone 190 da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
Outro canal de denúncias é o número 180, da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. As denúncias podem ser feitas ainda para o número 181, o Disque-Denúncia da SSPDS, ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia.

Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza (DDM-FOR)
Rua Tabuleiro do Norte, s/n – Couto Fernandes
Contatos: (85) 3108-2950
Delegacia de Defesa da Mulher de Caucaia (DDM-C)
Rua Porcina Leite, 113 – Parque Soledade
Contato: (85) 3101-7926
Delegacia de Defesa da Mulher de Maracanaú (DDM-M)
Rua Padre José Holanda do Vale, 1961 (Altos) – Piratininga
Contato: 3371-7835
Delegacia de Defesa da Mulher de Pacatuba (DDM-PAC)
Rua Marginal Nordeste, 836 – Jereissati III
Contatos: 3384-5820 / 3384-4203
Delegacia de Defesa da Mulher de Icó (DDM-ICÓ)
Rua Padre José Alves de Macêdo, 963 – Loteamento José Barreto
Contato: (88) 3561-5551
Delegacia de Defesa da Mulher de Iguatu (DDM-I)
Rua Monsenhor Coelho, s/n – Centro
Contato: (88) 3581-9454
Delegacia de Defesa da Mulher de Sobral (DDM-S)
Av. Lúcia Sabóia, 358 – Centro
Contato: (88) 3677-4282
Delegacia de Defesa da Mulher de Quixadá (DDM-Q)
Rua Jesus Maria José, 2255 – Jardim dos Monólitos
Contato: (88) 3412-8082
Delegacia de Defesa da Mulher do Crato (DDM-CR)
Rua Coronel Secundo, 216 – Pimenta
Contato: (88) 3102-1250
Delegacia de Defesa da Mulher de Juazeiro do Norte (DDM-JN)
Avenida Padre Cícero, 4501 – São José, Juazeiro do Norte – Casa da Mulher Cearense
Contato: (88) 3102-1102
Casa da Mulher Brasileira
Rua Teles de Sousa, s/n – Couto Fernandes, Fortaleza
Atendimento: 24 horas
Telefones para informações e denúncias
Recepção: (85) 3108.2992 / 3108.2931
Casa da Mulher Cearense no Cariri
Avenida Padre Cícero, 4501 – São José, Juazeiro do Norte
Atendimento: 24 horas
O que funciona: Delegacia da Mulher, Tribunal de Justiça, Atendimento Psicossocial, Ministério Público, Defensoria Pública, Brinquedoteca.
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