
A coordenadora da pesquisa, Lourdes dos Santos, durante apresentação de alguns dados da pesquisa
Está em fase de conclusão a pesquisa documental realizada pela Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE), vinculada à Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), sobre a ocorrência da diabetes mellitus (DM) e hipertensão arterial sistêmica (HAS) em 12 comunidades do povo Tapeba em Caucaia, na Grande Fortaleza.
Coordenado pela Gerência de Pesquisa em Saúde (Gepes) da autarquia, o estudo analisou, nos últimos dois anos, mais de 600 fichas de saúde cadastradas no Sistema Único de Saúde (SUS). Os documentos datam do período de 2010 a 2020.
Intitulado como Ocorrência de Diabetes Mellitus e Hipertensão Arterial Crônica na Saúde da População Indígena Tapeba em Caucaia-CE, de 2010 a 2020: análise epidemiológica, o trabalho foi aprovado no edital Chamada 02/2020 do Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS).
“A gente queria analisar a distribuição e ocorrência de DM e HAS, bem como determinantes e condicionantes de saúde associados aos povos indígenas Tapeba, para saber se ocorrem de forma diferenciada. Essas informações são importantes e servem para elaboração de políticas públicas”, explica a coordenadora da pesquisa, Lourdes dos Santos.

Durante o encontro, os indígenas receberam materiais educativos sobre as doenças, seus fatores de risco, complicações e tratamentos
No último dia 27 de junho, a equipe da ESP/CE esteve na Região para apresentar alguns resultados da pesquisa e realizar a entrega de material educativo.
O encontro contou com a participação de Agentes Indígenas de Saúde (AIS), um técnico do Programa Hipertensão/Diabetes do Ministério da Saúde e um técnico da Região (RT). Eles receberam folders, uma cartilha e um vídeo com informações importantes sobre as doenças, seus fatores de risco, complicações e tratamentos.
Segundo a Agente Indígena de Saúde, Maria Nádia de Souza, receber a visita da ESP/CE na comunidade foi de extrema relevância. “Esses produtos entregues vão ser úteis para a gente usar nas reuniões comunitárias e no acolhimento dos postos de saúde”, destaca.
A expectativa é que, no dia 14 de julho, todos os resultados identificados no estudo sejam enviados à Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), entidade ligada ao Ministério da Saúde.
A etnia indígena Tapeba é a maior do Ceará. As áreas em que os Tapebas residem constituem grupos locais de tamanho, padrão de assentamento, densidade e localização distintos, dentro da geografia do município de Caucaia. Ocupando nichos diferentes, os Tapebas atualizam formas diferenciadas de apropriação dos recursos naturais, sendo basicamente extrativistas e sazonais.
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