
Um dos fatores para o sucesso de uma cirurgia ortopédica está na reabilitação pós-cirúrgica dos pacientes. Pensando nisso, o serviço de fisioterapia do Hospital Estadual Leonardo Da Vinci (Helv), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), em Fortaleza, desenvolve desde 2022 o “Projeto Continuar”. A iniciativa atende aos pacientes cirúrgicos da unidade.
O projeto consiste no atendimento aos enfermos no pré e pós-operatório imediato e no momento da alta, em uma sala de reabilitação. Além dos exercícios para a recuperação completa, os pacientes recebem uma cartilha orientadora e assistem a vídeos educativos com informações sobre proteção da área operada, uso de talas ou órteses para fornecer suporte e estabilidade durante a recuperação, e exercícios que devem ser realizados nas semanas iniciais após a cirurgia.
“O objetivo é evitar as principais complicações do pós-operatório como o bloqueio articular, perda da força, perda de amplitude articular e o comprometimento da funcionalidade, permitindo que o paciente possa recuperar a qualidade de vida e realizar atividades da vida diária”, explica a coordenadora do serviço de fisioterapia do Helv, Socorro Quintino. “O tratamento cirúrgico alcança seu objetivo maior com a participação e colaboração do fisioterapeuta no processo de reabilitação”, complementa a coordenadora.

Desenvolvido pelo Helv, o projeto prepara-se para implantar reabilitação à distância
Natural de Morada Nova, a 163 km de Fortaleza, Carmem Tânia, 61, começou a sentir dormência nas mãos e nos braços, o que a impossibilitava de realizar qualquer atividade manual. Com diagnóstico de Síndrome do Túnel de Carpo, operou há três meses uma das mãos. Para ela, a fisioterapia foi uma importante aliada no processo de recuperação da cirurgia. “Fiquei fazendo os exercícios em casa como os fisioterepeutas orientaram. Eu tenho uma bolinha, usava aqueles elásticos e ia para a parede fazer os exercícios”, explica.
De volta ao Helv, agora a paciente aguarda para operar a outra mão, acometida pela mesma síndrome. “As meninas são nota mil. Não é nem dez, é mil. Porque elas são muito atenciosas com a gente e dão a maior força, deixam a gente tranquila. É tanto que ela chamar para ver um vídeo desse é muito bom para quem vem pela primeira vez”, complementa a dona de casa.
O Projeto Continuar já beneficiou mais de 639 pacientes. Agora, a fisioterapia do Helv prepara-se para mais um desafio: a segunda fase que consiste na reabilitação à distância. De forma inovadora, os pacientes de cirurgias ortopédicas como punho, ombro, joelho e quadril, continuarão sendo acompanhados e receberão orientações através de chamadas de vídeo depois de 30, 45 e 60 dias após o procedimento cirúrgico. São programas envolvendo o autocuidado e os exercícios monitorizados à distância.
“A telemedicina hoje, assim como a telerreabilitação, são dois braços importantes para a medicina porque conseguimos avançar no segmento pós-operatório desses pacientes”, explica Socorro Quintino.
A nova fase aguarda o parecer da Comissão Ética de Pesquisa do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), organização social que administra o Helv. “O objetivo é unir a prática assistencial ao ensino e à pesquisa. O projeto também prevê a participação de estagiários de fisioterapia na próxima etapa”, completa.
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