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Buscas por crianças desaparecidas em Bacabal vão seguir com força-tarefa menor, diz secretário

Equipes continuam atuando com apoio de drones, Exército e Marinha. Segundo o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, o inquérito policial já ultrapassa 200 páginas.

23/01/2026 às 14h53
Por: Fabio Brito Fonte: G1 Maranhão
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Buscas por crianças desaparecidas em Bacabal vão seguir com força-tarefa menor, diz secretário

O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, informou nessa quinta-feira (22) que as buscas pelas crianças Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidas há 20 dias em Bacabal, no interior do estado, vão continuar, mas de forma mais direcionada e focada na investigação policial.

Na prática, isso significa que as equipes já realizaram a varredura completa em áreas de mata e lago e não encontraram vestígios nem pistas sobre o paradeiro das crianças. A operação entra agora em uma nova fase, com foco na investigação policial, sem interrupção das buscas no rio Mearim.

“Infelizmente nós não encontramos as crianças. […] Nós vamos fazer um redirecionamento para os trabalhos, dando enfoque às investigações da Polícia Civil e mantendo grupos especializados em atividades rurais para o rastreamento e até mesmo o Exército Brasileiro”, disse o secretário.

O secretário destacou ainda que, caso surja a necessidade de retornar às áreas de mata, conforme indícios da investigação, as equipes poderão ser novamente acionadas. A força-tarefa permanece, com atuação integrada da Polícia Civil do Maranhão, do Exército e da Marinha, além do uso de drones no monitoramento.

Uma comissão especial de segurança, composta por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal, conduz as investigações paralelamente às buscas. Segundo o secretário, o inquérito policial já ultrapassa 200 páginas.

Das duas bases utilizadas durante a operação, será mantida apenas a base instalada no quilombo São Sebastião dos Pretos, local em que as crianças moravam e foram vistas pela última vez.

Durante a coletiva, o prefeito de Bacabal, Roberto Costa, informou que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realiza fiscalizações não apenas nas rodovias do Maranhão, mas também em outras regiões do país.

Ainda de acordo com o prefeito, a Secretaria de Segurança Pública acionou um sistema nacional de segurança, permitindo o uso de mecanismos e bancos de dados de outros estados para reforçar as buscas pelas crianças.

O secretário acrescentou que, em casos de desaparecimento, a Polícia Civil segue um protocolo específico por meio do programa Amber Alert. Segundo ele, o sistema aciona a plataforma Meta para divulgar informações e fotos dos desaparecidos no Instagram e no Facebook, com alcance de até 200 quilômetros da região.

Durante entrevista coletiva, o secretário também fez um apelo à população e às pessoas que acompanham o caso para que não divulguem comentários ou informações falsas, que podem prejudicar o andamento das investigações.

Varredura pelo rio Mearim já percorreu 19 km
A Marinha informou que, desde o domingo (18), foram realizadas buscas ao longo de 19 quilômetros do rio, sendo que cinco quilômetros foram vasculhados de forma minuciosa.

“De forma criteriosa, vasculhamos cinco quilômetros do rio. Os pontos de interesse foram repassados aos mergulhadores do Corpo de Bombeiros para verificar se havia algum vestígio. Dentro dessa extensão, com o equipamento empregado, esgotamos as possibilidades de que as crianças estejam no local”, afirmou o capitão dos Portos, Ademar Augusto Simões Júnior.

Durante as buscas fluviais, foram identificados 11 pontos de interesse, que foram repassados aos mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA). As equipes realizaram buscas subaquáticas, mas nenhum vestígio relacionado ao desaparecimento das crianças foi encontrado.

A varredura conta com apoio do equipamento side scan sonar, utilizado para mapear áreas submersas por meio de ondas sonoras. O equipamento produz, em tempo real, imagens do leito e da coluna d’água, permitindo identificar anomalias que depois são verificadas pelos mergulhadores, o que acelera as buscas.

O oficial destacou ainda que, apesar da ausência de indícios, a Marinha do Brasil segue à disposição para continuar colaborando com as buscas.

O tenente-coronel João Carlos Duque, do Exército Brasileiro, informou durante a coletiva que as equipes de busca já percorreram cerca de 200 quilômetros em operações realizadas a pé e por meio de embarcações nos arredores da comunidade.

Segundo o militar, em ambientes inóspitos, sem acesso à água e alimentação, um ser humano consegue sobreviver, em média, entre oito e 12 dias. No entanto, como não há vestígios sobre o paradeiro das crianças, as equipes de segurança trabalham com a possibilidade de que elas estejam fora das áreas já vasculhadas.

“As equipes, incluindo os voluntários, percorreram toda a área definida para as buscas. Isso nos dá a garantia de que o local foi amplamente varrido e de que as crianças não foram encontradas ali".
"Essa constatação nos dá esperança de encontrá-las com vida, porque, dentro de uma perspectiva técnica, um ser humano consegue sobreviver em ambiente inóspito sem água e alimentação por oito a 12 dias. A ausência de vestígios amplia a possibilidade de que elas estejam em outro lugar”, afirmou.

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