
Com inflação controlada, juros em acomodação e maior demanda por ativos reais, os imóveis voltaram a ganhar força como alternativa de previdência privada no país. A estratégia de investimento imobiliário transforma os bens em fonte recorrente de renda e tem ganhado espaço entre profissionais liberais, empreendedores e famílias que buscam fontes complementares de renda para a aposentadoria.
Os dados sustentam essa tendência. Em 2024, os imóveis residenciais entregaram uma rentabilidade total de 19,1% ao ano, somando valorização e renda de aluguel. Os números constam em estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a plataforma QuintoAndar. O desempenho supera o patamar da taxa Selic no período.
No mesmo intervalo, o preço médio de venda avançou 7,73%, a maior alta desde o início da série histórica do índice FipeZAP. No segmento logístico, estudos de mercado indicam projeções de valorização ainda mais elevadas, chegando a 20%. O cenário tem estimulado o desenvolvimento de produtos imobiliários voltados a estratégias de investimento de longo prazo.
A mudança de mentalidade do investidor brasileiro
Os dados indicam uma mudança gradual na forma como o investidor brasileiro passa a estruturar sua aposentadoria. É o que avalia o especialista em mercado imobiliário Thiago Cabral. "A previdência imobiliária surge como resposta a um investidor que busca construir um patrimônio concreto, capaz de gerar renda recorrente e menos dependente do cenário fiscal", afirma.
Na prática, o modelo combina renda mensal indexada, por meio do aluguel, e proteção patrimonial, via valorização do ativo. Ainda segundo o estudo da FGV, em horizontes de 10 a 20 anos essa combinação tende a entregar retornos reais superiores aos de alternativas financeiras de baixo risco, desde que os imóveis estejam bem localizados e sob gestão profissional. Segundo Cabral, esse direcionamento tem orientado a estratégia de diversas empresas do setor, como a ABC & Embralot.
"Nossos portfólios são estruturados com foco em previsibilidade, reunindo ativos bem localizados, gestão profissional e estratégias de ocupação voltadas à redução da vacância e ao potencial de valorização", explica. Ele também destaca aspectos patrimoniais do modelo: "Diferente de planos de previdência tradicionais, o imóvel é um ativo tangível, que pode ser herdado, vendido ou utilizado como garantia".
Santa Catarina no contexto do modelo
O movimento encontra um exemplo representativo em Santa Catarina, que ampliou sua participação no mercado imobiliário nacional nos últimos anos. Entre março de 2024 e março de 2025, o estado concentrou 65% do Valor Geral de Vendas (VGV) de lançamentos da região Sul, totalizando R$ 55,5 bilhões, segundo dados da consultoria Brain.
No mesmo período, a valorização residencial no estado superou a média nacional. No segmento de investimentos em imóveis na planta, levantamento da plataforma MySide aponta rentabilidade média anual de 22,1%. Para Cabral, o desempenho é sustentado por fatores estruturais. "A combinação entre qualidade de vida, demanda turística recorrente e expansão de empreendimentos residenciais contribui para a atratividade do mercado catarinense no longo prazo", avalia.
Demanda e oferta
Nesse contexto, a ABC & Embralot atua no desenvolvimento de produtos residenciais, urbanos e logísticos voltados ao investidor de longo prazo. A companhia reúne cerca de 12,5 milhões de metros quadrados em landbank potencial e registra VGV superior a R$ 3,5 bilhões nos últimos anos, com 11 empreendimentos e mais de 2.100 unidades entregues em Santa Catarina.
Segundo o diretor comercial André Reis, a estratégia da empresa se apoia em três frentes: residenciais de alto padrão; produtos compactos com gestão terceirizada voltados à geração de renda; e ativos logísticos com galpões de alta performance e especificação técnica acima das normas de mercado.
No segmento logístico, o condomínio empresarial Navepark, localizado em Navegantes, às margens da BR-101 e próximo aos principais portos catarinenses, registrou elevada demanda na primeira fase, com 90% dos terrenos comercializados e vacância de 3%, abaixo da média nacional de 10%. A expansão do projeto, anunciada em agosto, projeta VGV total de R$ 2,2 bilhões e teve 40% dos terrenos vendidos durante o lançamento.
"Com base em projeções internas que consideram a ocupação histórica regional e a dinâmica de valorização logística no estado, o ativo pode alcançar rentabilidade total aproximada de 28% ao ano, somando aluguel e valorização, com renda líquida recorrente estimada em até 13% ao ano", afirma Reis.
Além disso, investimentos logísticos e portuários estruturais, como a dragagem da Baíia da Babitonga, ampliam a competitividade dos corredores marítimos do Norte de Santa Catarina e contribuem para a valorização dos ativos da região.
Para Cabral, o cenário atual tem sido avaliado como favorável para a aquisição de ativos reais, especialmente em estratégias de médio e longo prazo. "Movimentos de redução dos juros tendem a pressionar os preços de terrenos e ativos logísticos, seguindo ciclos observados em períodos anteriores", conclui.
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