
Entre janeiro e novembro de 2025, o Piauí realizou 20.952 cirurgias ortopédicas. O número eleva a média mensal para mais de 2 mil procedimentos em todo o estado, considerando os 14 hospitais que executam esse tipo de cirurgia. O volume representa um crescimento de 89% em relação ao mesmo período de 2022 e de 34% em comparação com 2024.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), o aumento consolidou a descentralização do cuidado ortopédico, permitindo que pacientes sejam operados mais perto de suas famílias e de casa. O desempenho também demonstra avanços na capital, que registrou média superior a 700 cirurgias por mês entre janeiro e novembro.
A servidora pública Sarya de Moura, que sofreu um acidente doméstico em julho e fraturou os dois pés, destaca o atendimento rápido e a possibilidade de realizar a cirurgia no Hospital Regional Deolindo Couto (HRDC), em Oeiras.
“Eu estava saindo para caminhar quando torci o pé direito e, ao tentar me equilibrar, acabei quebrando o esquerdo. Fui atendida na UPA, fiz o raio-x e o ortopedista, que estava em cirurgia, pediu que eu voltasse no dia seguinte. Já na segunda-feira eu estava operando. Foi tudo muito rápido”, relata.

Ela reforça que ter o procedimento realizado no próprio município fez diferença. “Isso me tranquilizou muito. Por ser uma fratura complexa, imaginávamos que eu precisaria ir para Picos ou Teresina. Fazer tudo aqui reduziu o estresse e a preocupação. O hospital tem estrutura e profissionais que dão conta da demanda. Hoje já consigo andar, sigo em reabilitação e, embora ainda não tenha 100% da mobilidade, estou evoluindo bem”, afirma.
O coordenador de Ortopedia do Hospital da Polícia Militar (HPM), Eduardo Bona, avalia o balanço de 2025 como extremamente positivo.

“Estamos fechando o ano com números exuberantes: mais de 20 mil cirurgias ortopédicas no estado. Isso se deve, principalmente, à consolidação dos serviços nos hospitais regionais, que tratam a população perto de casa, e ao trabalho do HPM, que hoje é a maior referência em cirurgia ortopédica do Piauí. Realizamos, de forma rotineira, artroscopias de joelho, ombro, cotovelo, quadril, tendões, entre outras de média e alta complexidade, reduzindo uma demanda reprimida histórica”, destaca.
O superintendente de Gestão da Rede de Média e Alta Complexidade da Sesapi, Dirceu Campelo, afirma que a descentralização e o aumento da capacidade cirúrgica reduziram o tempo de espera.
“Esse avanço melhora o atendimento de urgência, especialmente para vítimas de acidentes de trânsito, e reduz a fila de cirurgias eletivas. Em 2022, um paciente esperava mais de 400 dias por uma cirurgia ortopédica eletiva, que era a segunda maior fila do estado. Hoje, a média estadual é de 51 dias, sendo apenas 39 no HPM, referência em ortopedia”, explica.
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