
O governo maranhense apresentou, nesta segunda-feira (17), a experiência exitosa do Programa de Formação Docente para a Diversidade Étnica (Proetnos) aos participantes da 30ª Conferência das Partes (COP30), que está sendo realizada em Belém (PA). O painel ‘Inclusão e Interculturalidade’ foi apresentado no Espaço Brasil Nordeste, na Zona Verde da COP30, e destacou os avanços no Maranhão ao longo dos últimos nove anos.
O Proetnos foi implantado na Universidade Estadual do Maranhão (Uema) em 2016 com o objetivo central de formar e qualificar quilombolas e indígenas, por meio de licenciaturas específicas e diferenciadas, para atuarem nas escolas de seus territórios. O programa surgiu como resposta à demanda histórica dos povos tradicionais por uma educação inclusiva e plural.
Com o programa, a Uema tem estabelecido novos relacionamentos entre os saberes e historicidades dos povos e comunidades tradicionais e o conhecimento ocidental, visando reverter um processo histórico assimétrico que exige reparações. Durante a COP30, a coordenadora do Proetnos, Marivânia Furtado, destacou a importância da iniciativa.
“É necessário integrar indígenas e quilombolas no ensino superior para reverter o quadro de assimetria que nós temos, ainda, na presença de pessoas que são qualificadas, mas que não estão contextualizadas nos territórios étnicos. Dessa forma, a Uema tem investido em cursos superiores para que essas escolarizações nos territórios sejam, de fato, contextualizadas com uma educação intercultural específica, diferenciada e antirracista”, frisou Marivânia Furtado.
Também presente no painel, a coordenadora do Núcleo de Tecnologias para a Educação da Uema, Lígia Tchaicka, ressaltou a importância da participação maranhense na COP30 pela grande diversidade de povos no estado. Ela destacou a necessidade de compartilhar as experiências para serem ampliadas e servirem de exemplo no processo de enfrentamento das mudanças climáticas.
“Apresentamos algumas iniciativas da Universidade Estadual do Maranhão que buscam usar o patrimônio biocultural e o conhecimento tradicional aliado ao conhecimento científico para fazer uma formação sobre a mudança climática. São cursos superiores, cursos curtos e atividades desenvolvidas em comunidades indígenas e em comunidades da área costeira, que estão trabalhando as questões ligadas ao clima e formando cidadãos para essas mudanças que estamos passando”, pontuou.
Já a secretária adjunta de Educação Escolar Indígena do Maranhão, Cintia Guajajara, lembrou a necessidade do apoio institucional para que essas formações sejam uma realidade nos territórios tradicionais. Ela explicou que, atualmente, professores indígenas no Maranhão contam com qualificações na Uema e fora do estado, em Goiânia (GO), com o auxílio de bolsas de estudo.
“Quando os professores indígenas têm a oportunidade de ingressar na licenciatura, isso é um ganho muito grande para as comunidades, para a educação escolar indígena. Então esse projeto é muito importante porque ele se aproxima da nossa realidade, o conhecimento indígena com o conhecimento universal, para que o professor indígena seja o protagonista, o autor e o produtor do seu conhecimento”, destacou.
Sobre o Proetnos
Criado em 2016, o Programa de Formação Docente para a Diversidade Étnica (Proetnos) tem entre os seus princípios o reconhecimento da diferença como pressuposto básico para a implementação da igualdade em todos os âmbitos; respeito aos processos próprios de ensino e aprendizagem, incluindo estratégias específicas de avaliação; aprimoramento da leitura e da competência da escrita sem desvalorizar a tradição da oralidade; articulação do saber em diferentes espaços de formação; diálogo de racionalidades distintas, visando o bem viver; complementariedade e simetria de saberes, que permitam um diálogo entre os conhecimentos tradicionais e os universalmente produzidos.
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