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Obesidade e lipedema exigem cuidado para além da balança

Médica com formação em Nutrologia, Medicina de Família e Gerontologia, Dra. Dayane Alves detalha como hormônios, composição corporal e saúde emocional interferem no emagrecimento e metabolismo feminino e quais sinais ajudam a separar a doença da o...

07/10/2026 às 15h34
Por: Redação Portal Verdes Campos Sat Fonte: Agência Dino
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Mais de seis em cada dez adultos das capitais brasileiras estão acima do peso, e a obesidade atinge 25,7% dessa população, segundo dados de 2024 do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgados pelo Ministério da Saúde. O excesso de peso alcançou 62,6% dos adultos. Em janeiro de 2026, o lipedema, condição que afeta sobretudo mulheres e costuma ser confundida com excesso de gordura, ganhou definição internacional em consenso publicado na revista Nature Communications, com 59 recomendações aprovadas por especialistas.

Para a Dra. Dayane Alves, com formação em Nutrologia, Medicina de Família e Gerontologia, os dois cenários exigem que o cuidado com a saúde feminina ultrapasse o número exibido na balança. "O emagrecimento não deveria ser tratado simplesmente como uma tentativa de fazer a balança diminuir", afirma. Segundo a médica, a regulação do peso corporal envolve mecanismos metabólicos, neuroendócrinos, comportamentais, ambientais e emocionais, o que torna insuficiente a lógica de apenas comer menos e gastar mais.

"Quando avaliamos apenas o peso ou prescrevemos uma medicação ou dieta de maneira isolada, podemos deixar de identificar justamente os fatores que estão dificultando o resultado que almejamos durante o tratamento", explica. Na avaliação da Dra. Dayane Alves, compreender a obesidade como fruto exclusivo de escolhas individuais ou de falta de disciplina não corresponde ao conhecimento científico atual. "Duas mulheres com o mesmo peso podem ter composições corporais, perfis metabólicos e necessidades completamente diferentes", frisa.

Hormônios e fases da vida

O corpo feminino apresenta, em geral, maior percentual de gordura e tendência de depósito nos quadris e nas coxas, enquanto os homens acumulam proporcionalmente mais gordura abdominal. De acordo com a médica, estrogênio e progesterona participam da regulação do metabolismo energético, do uso de carboidratos e gorduras e da composição corporal.

"Durante o próprio ciclo menstrual, as oscilações desses hormônios podem modificar o gasto energético e a maneira como diferentes nutrientes são utilizados pelo organismo da mulher", detalha. Por isso, a mesma estratégia alimentar ou de treino não gera respostas iguais em todas as mulheres.

Na transição para a menopausa, a queda progressiva do estrogênio altera o balanço energético, favorece o acúmulo de gordura abdominal e visceral e intensifica a perda de massa muscular. A médica observa que a gordura visceral está associada à resistência à insulina, à dislipidemia, à síndrome metabólica, ao diabetes tipo 2 e ao maior risco cardiovascular, o que torna a preservação muscular, com alimentação adequada e exercício regular, prioridade nessa fase.

O sono integra essa equação. O mesmo levantamento do Ministério da Saúde identificou que 36,2% das mulheres nas capitais relatam ao menos um sintoma de insônia, ante 26,2% dos homens. "Estresse, qualidade do sono, ingestão de álcool ou outras substâncias tóxicas e a relação com o próprio corpo irão influenciar o comportamento alimentar, a disposição para praticar atividade física e a capacidade de manter as mudanças de hábito no longo prazo", enfatiza Dra. Dayane Alves.

Sinais que diferenciam o lipedema

No Brasil, um estudo populacional publicado em 2022 no Jornal Vascular Brasileiro estimou em 12,3% a parcela de mulheres adultas com sintomas compatíveis com alta probabilidade de lipedema. Ainda assim, a doença costuma ser confundida com obesidade, gordura localizada, linfedema ou alteração venosa, segundo a médica, também porque nenhum exame de sangue ou de imagem a confirma.

"No lipedema, o acúmulo de gordura costuma ser bilateral, simétrico e excessivo, acometendo principalmente a região dos quadris, coxas e pernas e, em alguns casos, também os braços", descreve. Pés e mãos costumam ser poupados, o que gera uma interrupção abrupta do tecido adiposo, semelhante a um degrau, conhecida como sinal do manguito. Dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso, inchaço e facilidade para formar hematomas compõem o quadro, que tende a surgir ou se acentuar na puberdade, na gestação e na menopausa, muitas vezes com histórico semelhante entre mulheres da mesma família.

A médica acrescenta que muitas pacientes conseguem reduzir medidas no tronco e no abdômen, mas mantêm as pernas desproporcionalmente volumosas. "É importante lembrar que obesidade e lipedema podem estar presentes simultaneamente. Da mesma forma, ter pernas volumosas ou gordura localizada não significa necessariamente ter lipedema", pondera.

Há indícios de que esse tecido responda de forma diferente ao estrogênio, mas, como ela ressalta, boa parte das pesquisas ainda é observacional ou experimental, e não existe terapia hormonal específica comprovada para a doença.

Cuidado ao longo do tempo

Os autores do consenso internacional apontam lacunas de evidência e defendem mais pesquisa e padronização de dados para enfrentar o que classificam como uma disparidade na saúde das mulheres. Para a Dra. Dayane Alves, obesidade e lipedema não admitem intervenção única, e dietas restritivas tendem a gerar mudanças temporárias. O acompanhamento longitudinal, segundo ela, permite acompanhar a evolução da composição corporal, da força e da funcionalidade, além de ajustar alimentação, atividade física, sono e, quando houver indicação médica, tratamentos farmacológicos. "No lipedema, isso é especialmente importante porque o objetivo não deve ser apenas estético. Precisamos pensar em dor, mobilidade, edema, capacidade funcional, saúde metabólica, qualidade de vida e também no impacto emocional que uma doença crônica e frequentemente incompreendida pode produzir", diz.

A médica avalia que o vínculo construído entre consultas melhora a comunicação com a paciente e tende a favorecer diagnósticos e condutas mais precisos. "Em condições crônicas, como obesidade e lipedema, o cuidado não deve ser baseado em soluções rápidas, mas em uma estratégia construída e ajustada ao longo do tempo, de acordo com as necessidades de cada mulher", conclui.

Para mais informações, basta acessar: https://dradayanealves.med.br/

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