
As audiências de instrução do processo criminal contra o pastor David Gonçalves da Silva foram encerradas no Fórum de Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. Durante a etapa conduzida ao longo da semana, a Justiça ouviu 48 pessoas, incluindo supostas vítimas, testemunhas, representantes da defesa e o próprio acusado. Com a conclusão das oitivas, o processo avança para a fase de apresentação das alegações finais pelo Ministério Público e pela defesa, período estimado em até 20 dias, preparando o caso para a prolação da sentença judicial.
Preso desde abril durante a Operação "Falso Profeta", o líder religioso é réu por crimes como estupro de vulnerável, tortura, estelionato, posse sexual mediante fraude e associação criminosa. As investigações conduzidas pela Polícia Civil duraram cerca de dois anos e tiveram início após denúncias formalizadas por ex-fiéis da igreja.
Conforme a apuração policial, o acusado exercia controle sobre uma comunidade estimada entre 100 e 150 pessoas, atraindo inclusive indivíduos em situação de extrema vulnerabilidade social, como um dos denunciantes que ingressou na instituição aos 13 anos enquanto vivia em situação de rua.
Os depoimentos prestados indicam a existência de um sistema rígido de punições físicas e psicológicas aplicado contra os membros que descumprissem regras internas. Entre as práticas relatadas estão agressões a chicotadas, vigilância constante por meio de câmeras nos alojamentos, restrição de contato com pessoas externas e castigos como a escrita repetida de frases de submissão à liderança.
A Polícia Civil informou também que, embora a comunidade fosse mista, os homens figuravam como os principais alvos dos abusos sexuais investigados. Por envolver crimes contra a dignidade sexual, a ação penal tramita sob segredo de Justiça.
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