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76% das empresas mantêm alto gasto com legado

Pesquisa da TQI e Fundação Dom Cabral mostra avanço da modernização, mas aponta desafios de orçamento, execução e adoção estratégica de IA

23/09/2026 às 09h59
Por: Redação Portal Verdes Campos Sat Fonte: Agência Dino
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A modernização dos ambientes tecnológicos já faz parte da agenda das grandes empresas, mas a manutenção de sistemas legados ou críticos ainda representa uma parcela significativa dos recursos destinados à tecnologia. Pesquisa realizada pela TQI, em parceria com a Fundação Dom Cabral e a Integratum, revela que 76% das empresas consultadas destinam 70% ou mais do orçamento de TI à manutenção de sistemas legados, cenário que reduz a capacidade de direcionar investimentos para novas aplicações, arquitetura, dados e inteligência artificial.

O levantamento combinou uma etapa quantitativa, com 51 empresas de 19 setores, e entrevistas em profundidade com sete CIOs. Na amostra quantitativa, 57% das organizações possuem faturamento superior a R$ 500 milhões por ano e 61% dos participantes ocupam posições de diretoria ou C-level. A pesquisa analisou o estágio de modernização, a dependência de ambientes existentes, o papel da liderança, a preparação das equipes e a adoção de inteligência artificial.

Apesar da concentração de recursos na sustentação dos sistemas legados, a modernização já está em andamento em grande parte das organizações. Segundo o estudo, 88% das empresas estão planejando, iniciando ou avançando em iniciativas de atualização de seus ambientes tecnológicos. Ao mesmo tempo, 62% classificam como alta ou muito alta a dependência do negócio em relação aos sistemas legados, enquanto 55% apontam a sustentação de processos críticos como uma das principais contribuições dessas estruturas.

Para Mário Anseloni, CEO da TQI, os resultados indicam que a modernização passou a envolver decisões relacionadas à capacidade de investimento, continuidade operacional e evolução do negócio.

"Muitas empresas precisam evoluir ambientes que continuam sustentando processos essenciais, receita e relacionamento com clientes. Isso exige uma leitura cuidadosa do que deve ser preservado, do que precisa evoluir e de como liberar capacidade para novas frentes sem aumentar o risco operacional. O orçamento revela essa tensão de maneira bastante objetiva", afirma.

O estudo também mostra que a transformação tecnológica deixou de ser uma agenda restrita às áreas técnicas. Para 76% dos respondentes, a modernização já é tratada como uma agenda compartilhada entre TI e negócio ou como uma prioridade estratégica executiva. Além disso, 64% avaliam como alto ou muito alto o apoio da liderança às iniciativas de transformação.

A preparação interna, entretanto, aparece como um dos pontos de atenção. Apenas 16% das empresas classificam como alto ou muito alto o preparo das equipes para atuar em ambientes digitais e orientados por dados. Outros 51% consideram esse nível moderado e 33% avaliam como baixo ou muito baixo.

A pesquisa também indica que desafios organizacionais e de negócio ganham relevância à medida que as empresas avançam em seus processos de modernização. Entre as 22 organizações que ainda estão planejando a transformação, 13 apontaram o risco de interrupção ou impacto em operações críticas como uma das principais preocupações. Já entre as 21 empresas que avançaram no processo, 18 citaram ganhos de produtividade nas áreas de negócio entre os impactos percebidos.

"Modernizar ambientes críticos exige conhecimento técnico, mas também governança, priorização e capacidade de conduzir mudanças sem comprometer a operação. Os dados mostram que apoio executivo e tecnologia disponível precisam caminhar juntos com preparo das equipes, clareza sobre dependências e uma execução progressiva. É essa combinação que permite transformar modernização em produtividade e capacidade real de evolução", ressalta Cristiano Oliveira, COO da TQI.

A inteligência artificial aparece entre os principais fatores associados à transformação digital. Para 47% dos participantes, análise de dados e IA estão entre os três elementos mais determinantes para o sucesso das iniciativas de modernização.

A adoção, entretanto, ocorre em diferentes níveis de maturidade. Apenas 8% das empresas afirmam operar IA de forma estruturada e integrada à estratégia do negócio. Outros 35% já registram uso comprovado, 29% mantêm projetos-piloto limitados e 26% estão em estágio inicial.

Quando analisada especificamente no contexto da modernização de sistemas, 33% das empresas afirmam que a IA já atua como acelerador relevante, com resultados relacionados à produtividade. As entrevistas qualitativas também identificaram aplicações em desenvolvimento de software, geração de código, automação e apoio à evolução de ambientes tecnológicos, acompanhadas por preocupações relacionadas à governança, qualidade dos dados e preservação do conhecimento interno.

A escolha de parceiros tecnológicos também foi analisada pelo estudo. O entendimento do negócio e dos ambientes existentes foi o atributo mais citado pelos respondentes, com 35% das menções, seguido por gestão de risco e continuidade, com 31%, solidez e robustez, com 25%, e histórico comprovado, com 24%.

"Quanto mais crítica a operação, maior a necessidade de conectar conhecimento tecnológico ao contexto do negócio. As empresas estão modernizando ambientes dos quais ainda dependem intensamente e, por isso, o avanço tende a ocorrer com governança, conhecimento das aplicações existentes e uma visão clara de quais capacidades precisam ser construídas para os próximos anos", acrescenta Anseloni.

O estudo realizado pela TQI em parceria com a Fundação Dom Cabral e a Integratum combinou uma etapa quantitativa, realizada com 51 empresas com faturamento superior a R$ 40 milhões, e sete entrevistas em profundidade com CIOs de organizações com faturamento acima de R$ 200 milhões.

A análise avaliou maturidade da modernização, orçamento de TI, dependência de sistemas legados, liderança, preparação das equipes, adoção de inteligência artificial e critérios utilizados pelas empresas para escolha de parceiros tecnológicos.

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