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Saúde Pesquisa

Brasil registra um caso de envenenamento a cada duas horas

Foram registrados 45.511 atendimentos pelo SUS em dez anos

09/09/2025 às 08h05
Por: Amanda Lafayette Fonte: Agência Brasil
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Foto: Reprodução/Marcelo Casal/Agência Brasil
Foto: Reprodução/Marcelo Casal/Agência Brasil

Uma pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede) revela um cenário alarmante sobre os casos de envenenamento no Brasil ao longo de 15 anos. Entre 2009 e 2024, a rede pública de saúde registrou 45.511 atendimentos de emergência que necessitaram de internação devido a envenenamento. Esse número representa uma média de 12,6 casos por dia, ou seja, uma pessoa a cada duas horas deu entrada em uma emergência por intoxicação.

Além dos envenenamentos acidentais, a pesquisa destaca que 3.461 desses casos foram intoxicações propositais causadas por terceiros. A Abramede alerta para a facilidade de acesso a substâncias tóxicas, a falta de regulamentação e fiscalização, e a impunidade, muitas vezes em crimes cometidos em contextos íntimos com motivações emocionais.

O levantamento detalha quais são as substâncias mais envolvidas nesses incidentes:

  • Produtos químicos: Lideram a lista, com 6.556 casos de envenenamento por produtos químicos não especificados, seguidos por 5.104 casos por substâncias químicas nocivas.
  • Drogas e medicamentos: Um total de 6.407 casos está ligado a envenenamentos por drogas, medicamentos e substâncias biológicas.
  • Envenenamentos acidentais: Nesse recorte, o destaque vai para o uso excessivo de analgésicos e medicamentos para dor e febre, que causaram 2.225 casos. Em seguida, vêm os pesticidas (1.830 casos), o álcool (1.954 casos) e os anticonvulsivantes, sedativos e hipnóticos (1.941 casos).

O Sudeste concentra quase metade de todos os casos de internação por envenenamento, com mais de 19 mil ocorrências. São Paulo (10.161 casos) e Minas Gerais (6.154 casos) são os estados mais afetados. Em segundo lugar, está a Região Sul, com 9.630 atendimentos, com destaque para Paraná e Rio Grande do Sul. O Nordeste registrou 7.080 casos, o Centro-Oeste 5.161, e a Região Norte 3.980.

A maioria das vítimas é do sexo masculino (23.796 registros). As faixas etárias mais vulneráveis são adultos jovens entre 20 e 29 anos (7.313 casos) e crianças de 1 a 4 anos (7.204 casos). Bebês com menos de um ano e idosos acima de 70 anos são os grupos com menor incidência de internações.

A Abramede relembrou exemplos recentes e chocantes de envenenamento proposital, que mostram a gravidade da situação:

  • Dezembro de 2024 (Torres, RS): Três pessoas de uma mesma família morreram após comerem um bolo contaminado com arsênio. A nora da vítima que preparou o bolo foi presa.
  • Janeiro de 2025 (Parnaíba, PI): Nove pessoas ficaram intoxicadas e cinco morreram, incluindo um bebê, após consumirem uma refeição adulterada com inseticida durante uma ceia de Réveillon.
  • Abril de 2025 (Imperatriz, MA): Duas crianças perderam a vida após comerem um ovo de Páscoa envenenado.
  • Abril de 2025 (Natal, RN): Uma bebê de 8 meses morreu e uma mulher ficou em estado grave após consumirem um açaí envenenado, que teria sido enviado como presente.
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