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Da Zona Leste ao audiovisual, a trajetória de Kaique Alves

Episódio do programa Business Rock apresenta a história do diretor e showrunner da KondZilla; ainda jovem, encontrou no audiovisual um novo caminho e construiu uma trajetória de alcance nacional e internacional

08/09/2026 às 10h38
Por: Redação Portal Verdes Campos Sat Fonte: Agência Dino
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Créditos: Business Rock
Créditos: Business Rock

Em um novo episódio, o programa Business Rock, apresentado por SanDRÃO, conta a história de Kaique Alves, diretor e showrunner da KondZilla. Antes de encontrar no audiovisual o seu verdadeiro propósito de vida, ele alimentava outro sonho: o de ser jogador de futebol. Criado na Zona Leste de São Paulo, Kaique chegou a atuar na base do Corinthians e enxergava no esporte o seu futuro profissional. Um acidente de trânsito, porém, interrompeu precocemente aquela trajetória.

Ao programa, ele apresenta sua jornada e mostra como a interrupção do sonho esportivo abriu espaço para uma nova carreira. Ainda na escola, Kaique começou a aprender edição de forma autodidata e, com uma câmera emprestada, passou a produzir vídeos para artistas de sua comunidade. “Eu comecei a aprender edição para fazer melhor do que um colega que fazia os melhores PowerPoints na escola. Usei uma câmera emprestada para gravar clipes e comecei a vender para outros moleques da quebrada por preços acessíveis”, relata. 

Em 2012, um de seus trabalhos ultrapassou a marca de 1 milhão de visualizações no YouTube, sinalizando que aquela atividade poderia ir muito além de uma alternativa temporária ao futebol. Dois anos depois, em 2014, ele entrou na produtora KondZilla como editor. Lá, acompanhou de perto a explosão do audiovisual ligado ao funk e, posteriormente, passou a atuar como diretor e criativo, assinando projetos de grande destaque para artistas e marcas globais. 

Contudo, a consolidação no mercado trouxe desafios complexos. O verdadeiro desgaste mental de Kaique não ocorreu na escassez do início, mas quando ele alcançou o que considerava seu primeiro auge profissional e financeiro. Foi em um período de estabilidade financeira, reconhecimento profissional e maior visibilidade que ele enfrentou um profundo quadro de depressão. “Eu tive uma depressão quando realmente estava chegando no meu primeiro auge. Eu estava vivendo uma vida sem propósito”, relembra. 

Diante do vazio existencial provocado pelo sucesso puramente comercial, Kaique passou a questionar suas reais motivações e o verdadeiro sentido de sua carreira. Foi esse momento de ruptura que o levou a redefinir a visão sobre o trabalho: “Eu penso muito assim: o que eu faria de graça? Esse é o meu propósito de vida. Criar e comunicar.” 

A experiência também o levou a transformar em narrativa uma realidade que conhecia de perto. Em 2023, chegou no Paramount+ o longa-metragem “Escola de Quebrada”, criado e dirigido por Kaique em parceria com Thiago Eva. “Eu sempre amei filmes teens, eu sempre amei filmes de escola, e nunca me senti representado dentro de um filme que falasse de escola de quebrada com detalhes”, afirma.

Kaique estudou cinema na New York Film Academy, em Los Angeles, e tornou-se membro da Academia Internacional de Artes e Ciências Televisivas, ligada ao Emmy Internacional. A expansão profissional, porém, não eliminou a questão que havia surgido no auge da carreira relacionada à busca por propósito, e a resposta encontrada passou a orientar sua relação com o trabalho.

A trajetória ganha dimensão diante dos desafios enfrentados por milhões de jovens brasileiros. Estudo lançado em maio de 2026 pela Fundação Roberto Marinho, Itaú Educação e Trabalho e IEDE, em parceria com o UNICEF, aponta que 7,9 milhões de jovens de 15 a 29 anos estão fora da escola sem concluir a educação básica. Sete em cada dez são negros. Entre os jovens em extrema pobreza, 31,7% estão nessa situação. O levantamento também identifica 11,9 milhões de jovens vivendo na pobreza e aponta obstáculos relacionados à renda, acesso à internet, mobilidade, conciliação entre estudo e trabalho e inserção profissional.

No caso de Kaique, uma câmera emprestada e o aprendizado de edição ajudaram a transformar uma habilidade desenvolvida na periferia em profissão. O ambiente digital altamente explorado no Brasil também ampliou esse caminho. Segundo o IBGE, 90,5% da população brasileira de 10 anos ou mais utilizou a internet em 2025, o equivalente a 168,7 milhões de pessoas. Para uma geração conectada, as plataformas digitais passaram a representar não apenas espaços de consumo, mas também possibilidades de criação, trabalho e construção de audiência.

Para SanDRÃO, apresentador do Business Rock, a história tem um significado pessoal pela origem compartilhada, pela relação com o futebol e pela experiência com a arte.

“Eu me identifico muito com o Kaique, porque nós dois vivemos no mesmo bairro, jogamos futebol e conseguimos, através da arte, vencer. A história dele me toca, porque eu também sei o que significa crescer na periferia, ter um sonho e descobrir que a arte pode abrir uma porta que parecia não existir. Kaique não deixou que a interrupção de um sonho definisse o fim da sua história. Ele encontrou outro caminho e fez dele uma profissão, uma identidade e uma forma de mostrar para o mundo de onde veio”, finaliza o apresentador.

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