
O aeroporto de Natal registrou o segundo maior crescimento de passageiros do país no início de 2026. Segundo levantamento da Zurich Airport Brasil, concessionária do terminal, divulgado pela Brasilturis, o Aeroporto Internacional de Natal teve alta de 18% no fluxo de passageiros no primeiro quadrimestre de 2026, com 964 mil pessoas entre embarques e desembarques, o maior avanço do Nordeste e o segundo maior do país no período.
O resultado foi puxado principalmente pelo segmento internacional. De acordo com o mesmo levantamento, o terminal movimentou quase 80 mil passageiros internacionais entre janeiro e abril, alta de 107% na comparação com o ano anterior, e registrou 575 operações internacionais, aumento de 87%. O desempenho da capital acompanha um movimento regional. No mesmo primeiro quadrimestre de 2026, o conjunto dos aeroportos do Nordeste ultrapassou 7,43 milhões de passageiros, alta de 11,2% e recorde histórico para o período, segundo a Panrontas.
A expansão se apoia em rotas novas. As ligações internacionais diretas a partir de Natal passaram a incluir Buenos Aires, operada pela JetSMART desde o fim de dezembro de 2025, além de Montevidéu e Lisboa, ampliando as conexões da capital potiguar com a América do Sul e com a Europa.
A conexão mais recente
A rota mais nova começou a operar em março. Segundo a Panrotas, a Gol iniciou em 21 de março de 2026 os voos diretos entre Natal e Montevidéu, com um Boeing 737 de 176 assentos e frequência semanal, no segundo destino internacional da companhia a partir da capital potiguar. Ainda de acordo com a publicação, a oferta de assentos da GOL no Rio Grande do Norte cresceu mais de 15% em 2026.
Quem chega pelos novos voos
Para Amanda Correia, gerente comercial do Esmeralda Praia Hotel, em Ponta Negra, as novas conexões já aparecem no perfil de quem reserva. "A ligação direta com Buenos Aires e Montevidéu muda quem chega. O hóspede argentino e o uruguaio antes dependiam de conexão por outra capital, o que encarecia e desestimulava a viagem. O voo direto tira essa barreira", afirma.
Segundo a gerente comercial, esse viajante se comporta de forma diferente do hóspede nacional. "Quem vem de fora do país costuma ficar mais noites, porque não veio de perto, e viaja em datas que nem sempre coincidem com os feriados brasileiros. Isso ajuda a distribuir a ocupação ao longo do ano", avalia.
O acesso como fator de decisão
Para Ruan Henrique, supervisor de marketing do Esmeralda Praia Hotel, a facilidade de chegada pesa cada vez mais na escolha do destino. "O viajante hoje compara o lugar e também o trabalho de chegar até ele. Voo direto e mais horários fazem um destino entrar na lista de quem tem pouco tempo de férias e não quer gastar um dia inteiro em conexão", observa.
A leitura de mercado
De acordo com Gianluca D’alessandro, CEO do Esmeralda Praia Hotel, a malha aérea é uma base externa ao hotel, da qual toda a operação depende. "Nenhum hotel enche sozinho um destino mal conectado. Quando chegam mais voos, principalmente internacionais, o mercado inteiro cresce, e cabe a cada hotel estar preparado para receber esse público, que chega com outras expectativas", pondera.
Para o executivo, o voo internacional muda o tipo de trabalho do hotel. "Receber um argentino ou um português exige adaptar comunicação, cardápio e forma de pagamento. É um público que soma ao brasileiro e ocupa períodos diferentes. Quem se preparar primeiro para esse hóspede sai na frente quando a rota amadurece", conclui.
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