
Uma mulher de 40 anos foi presa em Belo Horizonte após forjar o próprio sequestro e exigir R$ 14 mil da família. Segundo a Polícia Civil, ela passou dois dias sustentando a farsa enquanto o filho, de aproximadamente 1 ano e ainda amamentando, permaneceu sob os cuidados do pai. As informações foram divulgadas pelo jornal O Tempo.
O caso começou no domingo (23), quando o marido e as irmãs da mulher procuraram a polícia depois de receberem mensagens em que ela pedia socorro. Na sequência, os familiares passaram a receber contatos de uma pessoa que se apresentava como sequestrador e exigia o pagamento de R$ 14 mil para libertá-la.
Dívidas motivaram falsa história
De acordo com o delegado Murilo Ribeiro, titular da Delegacia Especializada Antissequestro (DAS), a mulher afirmou que precisava do dinheiro para quitar dívidas com terceiros, inicialmente apontados como agiotas.
Para sustentar a versão do sequestro, ela utilizou dois chips no mesmo celular. Em um dos números, conversava com os familiares como se fosse a vítima. No outro, se passava pelo suposto sequestrador e fazia ameaças.
Fotos e vídeos também foram enviados para convencer os parentes de que ela realmente estava sendo mantida em cativeiro.
A família chegou a receber mensagens com ameaças de que a mulher poderia ser morta ou agredida caso o dinheiro não fosse entregue.
Investigação descobriu inconsistências
A Polícia Civil, com apoio do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), realizou diligências em pelo menos três municípios e encontrou contradições na história apresentada.
Imagens de câmeras de segurança mostraram a mulher fazendo compras enquanto afirmava estar sequestrada. Segundo a investigação, ela também esteve em Conselheiro Lafaiete, na região Central de Minas Gerais, onde indicou uma conta para receber o dinheiro.
Na tentativa de conseguir contas bancárias para apresentar aos familiares como pertencentes aos supostos sequestradores, ela teria enganado outras pessoas.
Em uma situação, segundo a polícia, a mulher contratou um motorista de aplicativo, inventou uma história e conseguiu os dados de Pix dele. Em outra, conversou com uma comerciante e obteve informações bancárias que posteriormente foram utilizadas na tentativa de receber o dinheiro.
As pessoas tiveram os dados utilizados sem saber que participavam de uma fraude, conforme a investigação.
Mulher foi encontrada em hotel
Na noite de segunda-feira (24), a mulher foi localizada sozinha em um hotel na região Central de Belo Horizonte.
Segundo o delegado, ela continuava fazendo contatos com os familiares para tentar obter o pagamento quando foi abordada pelos policiais.
Durante a abordagem, os agentes perguntaram se ela estava sequestrada e se havia outra pessoa no local. Ela respondeu que não. Quando questionada sobre quem estava enviando as mensagens para os familiares, admitiu que era ela própria.
Até o momento, a Polícia Civil acredita que a mulher tenha agido sozinha e não identificou comparsas envolvidos na farsa.
Filho de 1 ano ficou dois dias sem a mãe
Um dos pontos destacados pela investigação é que o filho da mulher, de aproximadamente 1 ano, permaneceu em casa sob os cuidados do pai durante os dois dias em que ela sustentou a falsa versão do sequestro.
Segundo o delegado Murilo Ribeiro, a criança ainda era amamentada e ficou sem a mãe durante o período em que ela dizia estar em poder de criminosos.
Após a prisão, a Polícia Civil autorizou que o menino fosse levado à delegacia para receber os cuidados da mãe antes de ela ser encaminhada ao sistema prisional.
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