
A queda das temperaturas no inverno eleva a procura por vinhos, sejam eles tintos, brancos ou rosés. O movimento se repete todos os anos e transforma os meses mais frios em um dos períodos de maior relevância para a comercialização da bebida no país.
"Historicamente, o inverno é o período mais importante para o consumo de vinhos tranquilos. Com a queda das temperaturas, especialmente os tintos passam a ser mais procurados pelos consumidores", afirma Diego Bertolini, sócio-fundador do Grupo Venda Mais Vinho.
Segundo o especialista, o comportamento é observado tanto em vinícolas quanto em bares, restaurantes e lojas especializadas, à medida que os consumidores passam mais tempo reunidos e valorizam a experiência gastronômica.
Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que ouviu 2.649 empreendedores, 48% dos estabelecimentos afirmam vender vinhos. A garrafa de 750 ml é o formato mais presente, mantida em estoque por 93% dos negócios que vendem vinho, e também o mais vendido, oferecido por 90% deles. A taça aparece em segundo lugar, disponível em 65% dos negócios.
Formatos menores também têm espaço: 28% vendem garrafas de 375 ml e 11% oferecem a versão de 187 ml. A taça é vendida por até R$ 30 em 80% dos estabelecimentos, enquanto a garrafa de 750 ml custa entre R$ 81 e R$ 120 em 43% dos negócios, ou acima de R$ 120 em 25% deles.
Para o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, a sazonalidade do inverno cria um ambiente favorável para que os estabelecimentos reforcem a estratégia de vendas e aproveitem o potencial de consumo da bebida.
"O vinho deixou de ser um produto restrito a ocasiões especiais e passou a integrar a estratégia comercial de muitos bares e restaurantes. Com planejamento e orientação adequada, é possível transformar o aumento da demanda no inverno em melhores resultados para o negócio", acentua.
Preparação da equipe e do estoque
Para aproveitar o aumento sazonal da demanda, Diego Bertolini recomenda que os empreendedores tratem o vinho como uma ferramenta estratégica de vendas, e não apenas como mais um item da carta.
"Isso passa por montar uma carta de vinhos objetiva e adequada ao perfil do público, oferecer boas opções de vinhos em taça, criar sugestões de harmonização com os pratos da casa e, principalmente, preparar a equipe para recomendar os rótulos com segurança", ressalta.
Segundo ele, o cliente costuma decidir consumir vinho quando recebe uma indicação no momento certo. O especialista também recomenda planejar o estoque com antecedência, dar destaque aos vinhos de inverno e criar ações promocionais que incentivem o consumo antes do início da temporada.
Cartilha orienta sobre estratégia de vendas
Para apoiar os empreendedores nesse processo, a Abrasel disponibiliza gratuitamente, no Conexão Abrasel, a cartilha "Venda mais vinho no seu bar e restaurante", desenvolvida pelo Grupo Venda Mais Vinho em parceria com a Associação. O material reúne sete etapas práticas, que vão da curadoria e estruturação da carta ao treinamento de equipe, campanhas de incentivo e venda por múltiplos canais, como delivery e marketplaces.
"A cartilha foi criada justamente para mostrar que vender mais vinho não depende apenas de ter uma grande quantidade de rótulos, mas de construir uma estratégia para que a bebida faça parte da experiência do cliente. Quando o restaurante tem uma carta bem estruturada, oferece opções em taça, capacita a equipe e trabalha harmonizações com o cardápio, o vinho passa a contribuir diretamente para o aumento do tíquete médio, além de apresentar boa margem de rentabilidade e estimular o consumo de entradas, pratos principais e sobremesas", finaliza.
O material está disponível gratuitamente no Conexão Abrasel.
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