
Junho marca o mês de conscientização sobre o lipedema, conhecido como Junho Roxo. A mobilização busca ampliar o reconhecimento de uma condição crônica do tecido adiposo que afeta principalmente mulheres e ainda pode ser confundida com obesidade ou linfedema. Reportagem exibida pelo Fantástico, em março de 2025, apontou que o quadro pode atingir entre 10% e 18% das mulheres no mundo.
No Brasil, estudo publicado no Jornal Vascular Brasileiro estimou prevalência de 12,3% entre mulheres adultas e calculou que aproximadamente 8,8 milhões poderiam apresentar sintomas sugestivos da condição. O levantamento foi realizado por questionário e não corresponde a diagnóstico clínico, mas ajuda a dimensionar a relevância do tema para a saúde pública.
O lipedema costuma apresentar aumento desproporcional do tecido adiposo, principalmente em quadris, pernas e, em alguns casos, braços. Dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso, edema, hematomas frequentes e preservação de pés e mãos estão entre os sinais associados. O diagnóstico é clínico e deve ser realizado por profissional habilitado, com investigação de condições que podem apresentar características semelhantes.
Avaliação orienta o manejo do lipedema
O lipedema pode ser classificado conforme a distribuição corporal e as alterações morfológicas observadas no tecido. Nos estágios iniciais, a superfície da pele pode permanecer lisa, enquanto fases posteriores podem apresentar irregularidades, nódulos, fibrose, dobras de tecido e limitações funcionais. Essas classificaçães auxiliam a documentação do quadro, mas não substituem a análise dos sintomas e das necessidades individuais.
Para Franciele Doneda, biomédica, esteticista e cosmetóloga, criadora do método LIPEN e professora da formação de mesmo nome, a identificação dessas diferenças é determinante para a estratégia terapêutica. "É necessário avaliar dor, edema, sensibilidade, fibrose, mobilidade do tecido e flacidez. Duas pacientes com aparência corporal semelhante podem apresentar necessidades completamente diferentes", afirma.
Tecnologias dependem de objetivos clínicos
Recursos como pressoterapia, fotobiomodulação, correntes analgésicas, ultrassom terapêutico, tecarterapia e ondas de choque podem ser estudados como ferramentas complementares, de acordo com a habilitação profissional e a avaliação da paciente. A seleção deve considerar o objetivo de cada etapa, como manejo da dor, do edema, da mobilidade tecidual ou de alterações de textura.
"A tecnologia precisa estar associada a um objetivo clínico e à leitura do tecido, não à repetição de um protocolo padronizado. Um recurso destinado ao conforto e ao manejo da dor tem uma função diferente daquele utilizado para trabalhar fibrose ou qualidade tecidual", explica Doneda. Segundo a especialista, os equipamentos não substituem o diagnóstico, o acompanhamento médico nem outras medidas que possam integrar o cuidado multidisciplinar.
Campanha reúne conscientização e capacitação
Durante junho de 2026, a IBRAMED pelo segundo ano consecutivo, desenvolve uma campanha vinculada ao Junho Roxo, com conteúdos educativos, condição comercial diferenciadas para tecnologias do portfólio e acesso temporário de 30 dias ao curso LIPEN: Abordagem Avançada no Gerenciamento do Lipedema, conforme os critérios da ação. A formação aborda fundamentos do lipedema, avaliação clínica, tipos, estágios, diferenciação de outras condições e critérios para a utilização de recursos tecnológicos.
Ao relacionar conscientização, formação e discussão técnica, a iniciativa busca ampliar o acesso dos profissionais a informações sobre uma condição ainda subdiagnosticada. O avanço do conhecimento sobre o lipedema pode contribuir para avaliações mais criteriosas, encaminhamentos adequados e condutas compatíveis com os limites de atuação de cada profissão.
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