O mercado de grãos e produtos agrícolas no Nordeste mantém uma dinâmica de preços fortemente influenciada pela proximidade das áreas produtoras e pelos custos de logística. O feijão carioca e as variedades regionais continuam liderando as maiores cotações da região, com destaque para a Bahia, onde a saca atinge os valores mais elevados do balcão. Por outro lado, o arroz e o trigo, que dependem massivamente de importações de outras regiões e moinhos portuários, operam em patamares estáveis, porém com margens distintas em cada estado.
Nas regiões produtoras de grãos, como o Sul do Maranhão (região de Balsas) e o Sudoeste do Piauí (Uruçuí), os preços do milho direto da fazenda mostram-se mais competitivos, flutuando entre R$ 56,00 e R$ 64,00 por saca. Esse cenário muda drasticamente quando o produto chega aos grandes centros consumidores. Nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) de Pernambuco e do Ceará, por exemplo, o custo final da saca de milho e do fardo de arroz reflete o peso do frete e do ensacamento, elevando consideravelmente o preço repassado ao comerciante.
O mercado de derivados da mandioca, como a goma, também mantém forte apelo regional, com oscilações ligadas à safra da agricultura familiar local. Enquanto Maranhão e Piauí sustentam valores de fardo ligeiramente mais baixos devido à forte produção interna, os mercados de Recife e Fortaleza registram os maiores custos de distribuição urbana. A expectativa para o próximo trimestre é de manutenção dos preços, condicionados ao comportamento das chuvas e ao custo do óleo diesel nas principais rotas de escoamento do Nordeste.