
A acusada de envenenar um ovo de Páscoa que resultou na morte de duas crianças e deixou a mãe delas gravemente ferida será julgada pelo Tribunal do Júri nesta segunda-feira (22), em Imperatriz.
Jordélia Pereira Barbosa responde por dois homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio por envenenamento, em um caso que ganhou repercussão nacional pela gravidade e pela crueldade dos fatos.
O julgamento ocorre mais de um ano após o crime, ocorrido em abril de 2025, quando o chocolate envenenado foi entregue à família de Mirian Lira com um bilhete de “Feliz Páscoa”. Após consumirem o doce, morreram os irmãos Luiz Fernando, de 7 anos, e Evelyn Fernanda Rocha Silva, de 13 anos, enquanto a mãe ficou em estado grave.

Segundo o Ministério Público do Maranhão, responsável pela acusação, o acesso ao Fórum de Imperatriz será controlado durante a sessão do júri. Familiares das vítimas aguardam a decisão judicial sobre a responsabilização da ré.
A investigação da Polícia Civil concluiu que ciúmes e vingança teriam motivado o crime, já que a vítima mantinha relacionamento com o ex-marido da acusada. O inquérito apontou ainda laudos periciais, imagens de câmeras de segurança e materiais apreendidos como provas da autoria.
O Tribunal de Justiça do Maranhão aceitou a denúncia após o inquérito e determinou que a acusada fosse levada a júri popular. No entanto, a defesa recorreu da decisão, o que contribuiu para o atraso na realização do julgamento, que só agora foi marcado.
A prisão da suspeita ocorreu poucos dias após o crime, com base em indícios como compras, depoimentos e materiais encontrados com ela no momento da abordagem. O laudo do Instituto de Criminalística confirmou a presença de substância tóxica no chocolate e nos materiais apreendidos.
Em depoimento, Jordélia admitiu a compra e o envio do ovo, mas negou ter colocado veneno. Ela segue presa e será julgada por um conselho de sentença.
Para a mãe das vítimas, Mirian Lira, a prisão trouxe alívio, mas a expectativa é pela conclusão do julgamento. “Agora, a gente só está aguardando mesmo… que venha a sentença realmente”, afirmou.
Jordélia, de 36 anos, é moradora de Santa Inês e atuava no ramo da estética, com presença ativa em redes sociais e cerca de 12,5 mil seguidores. Antes da prisão, também era descrita por pessoas próximas como trabalhadora e conhecida na comunidade, embora relatos indiquem conflitos pessoais e relacionamento conturbado com o ex-marido.
O caso segue sob segredo de Justiça, e o julgamento desta segunda-feira deve definir a responsabilidade penal da acusada.

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