
O Ceará registrou aumento nos casos de feminicídio e de violência contra a mulher nos cinco primeiros meses de 2026. De acordo com dados da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp), foram contabilizados 19 feminicídios entre janeiro e maio deste ano, contra 13 ocorrências no mesmo período de 2025, o que representa crescimento de 46%.
Os registros de violência contra a mulher enquadrados na Lei Maria da Penha também apresentaram alta. Entre janeiro e maio de 2026, a polícia cearense registrou 10.923 ocorrências, frente a 10.487 no mesmo intervalo do ano passado. O aumento foi de 4,1%.
Os números refletem um cenário marcado por casos de grande repercussão no Estado. Em Quixeramobim, a jovem Ana Clara teve uma das mãos decepada e a outra semimutilada pelo cunhado. Já em Deputado Irapuã Pinheiro, uma adolescente foi morta após ser assediada por um homem.
Para a professora de Direito da Universidade Regional do Cariri (Urca), Geórgia Oliveira Araújo, o crescimento dos registros pode estar relacionado tanto ao aumento da violência quanto à maior conscientização das vítimas sobre situações que configuram violência de gênero.
“Então, a gente vê um processo de conscientização sobre a situação de violência, de que muitas mulheres passam a se reconhecer como vítimas de violência e que passam a buscar também os serviços de apoio à rede de proteção e de enfrentamento à violência de gênero”, afirmou.
A pesquisadora, que realiza doutorado na Universidade de Brasília (UnB), ressalta, no entanto, que há evidências de crescimento efetivo da violência contra as mulheres.
“A gente também tem evidências de que realmente esses números têm aumentado porque há um crescimento da violência. E isso é muito preocupante. Porque parece ser também uma forma dessa violência se reconfigurar”, alertou.
Segundo Geórgia, enquanto cresce a conscientização das vítimas, os agressores também encontram novas formas de praticar violência.
“As situações de violência passam a incidir de forma cada vez mais preocupante. Então, a gente precisa ter essa consciência de que talvez seja necessário rediagnosticar, fazer uma análise de como é que essa configuração de violência tem se manifestado, principalmente com esse crescimento tão alto de um ano para o outro”, reforçou.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que desenvolve ações de combate, prevenção, reforço do policiamento e acolhimento às vítimas de violência doméstica por meio de seus órgãos vinculados.
“Como ferramenta de enfrentamento à violência contra a mulher, as Forças de Segurança atuam diariamente para fortalecer a rede de atendimento, ampliar o acesso rápido aos serviços de proteção e o acompanhamento das vítimas”, destacou a pasta.
A SSPDS informou ainda que o Estado conta com duas Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) em Fortaleza e outras 11 unidades especializadas distribuídas na Região Metropolitana e no Interior. A delegacia de Tauá foi inaugurada em março deste ano e a unidade de Crateús será inaugurada neste sábado (20).
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