
A Agrolend, instituição financeira voltada ao financiamento do agronegócio em todo o Brasil, fechou 2025 com uma carteira de R$ 968 milhões, crescimento que triplicou o volume em relação ao período anterior. A empresa projeta mais do que dobrar esse volume em 2026, alcançando a marca de R$ 2 bilhões.
O avanço ocorreu em um momento em que os grandes bancos incumbentes restringiram a oferta de crédito no campo após acumularem perdas, abrindo espaço para a Agrolend se posicionar junto às maiores empresas do agronegócio. Com um perfil de alavancagem considerado conservador, a companhia registrou uma relação entre carteira de crédito e patrimônio líquido de 1,9x, sustentada por um capital de R$ 502 milhões, o que reforça uma base sólida para a expansão dos negócios.
Em liquidez, a instituição manteve uma posição robusta, com R$ 591 milhões em caixa e títulos livres. A qualidade da carteira também foi destaque em 2025: o índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 0,68%, bem abaixo da média de 12% observada no mercado, em dezembro de 2025, segundo dados do Banco Central. As provisões, por sua vez, cobrem 386% da inadimplência.
A companhia também opera com uma estrutura de custos enxuta. As despesas operacionais em caixa somaram cerca de R$ 42 milhões. "Temos hoje uma estrutura de custos preparada para uma operação de escala significativamente maior, o que nos permite capturar ganhos de eficiência e ampliar a alavancagem operacional à medida que expandimos a carteira", afirma Alan Glezer, Co-CEO da Agrolend.
O salto na carteira impulsionou a expansão da receita: em 2025, a Agrolend registrou R$ 162 milhões em receitas, um crescimento de 140% em relação ao ano anterior. No mesmo período, a companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 32 milhões.
Indicadores-chave da Agrolend em 31 de dezembro de 2025
A companhia encerrou o ano com patrimônio líquido de R$ 502 milhões e carteira de crédito de R$ 968 milhões, registrando alavancagem (carteira/PL) de 1,9x. O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 0,68%, frente à média de 12% do mercado apurada pelo Banco Central, com cobertura de PDD sobre NPL de 386%. O lucro líquido ajustado de 2025 foi de R$ 32 milhões, e o caixa e TVM livres somaram R$ 591 milhões. A projeção da carteira para 2026 é de R$ 2,0 bilhões. A Agrolend é regulada pelo Banco Central do Brasil, possui rating BBB+ (grau de investimento) atribuído pela Moody's e tem suas demonstrações financeiras auditadas pela Grant Thornton (PCAOB).
"Patrimônio é a última linha de defesa. Construímos capital antes de crescer a carteira e pretendemos manter essa ordem de prioridade", destaca André Glezer, co-CEO da companhia.
Projeções para 2026
Para 2026, a projeção é de expansão da carteira de crédito para R$ 2 bilhões, mantendo os padrões de qualidade e a alavancagem conservadora que marcam a operação desde a fundação. O lucro líquido estimado é de aproximadamente R$ 70 milhões, impulsionado pelo crescimento das receitas, pela maturação da carteira e pela diluição de despesas fixas em uma base de ativos maior.
Os indicadores do primeiro trimestre de 2026 corroboram essa trajetória: a companhia opera com receita anualizada superior a R$ 300 milhões. Ao atingir R$ 2 bilhões em carteira, a Agrolend projeta chegar a uma alavancagem de até 3 vezes o patrimônio líquido, mantendo o perfil conservador da operação. "Vamos dobrar a carteira com a mesma estrutura de capital e os mesmos controles. Isso é escala com disciplina", reforçam os executivos.
Novo perfil de clientes e crescimento do tíquete médio
A migração para o modelo de atacado trouxe uma transformação substancial no perfil das operações. No lugar da pulverização entre produtores rurais e revendas agrícolas, a Agrolend passou a operar com cheques maiores destinados às maiores indústrias de insumos agrícolas do país. Com isso, o tíquete médio das operações cresceu de R$ 400 mil para cerca de R$ 4 milhões. Entre os clientes da instituição estão empresas como Basf, Bayer, FMC, Mosaic e UPL.
As soluções oferecidas vão desde a securitização de recebíveis (que pode incluir a assunção de riscos de revendas e produtores) até a concessão de crédito direto com risco na indústria, que possui perfil de crédito mais robusto. A capacidade de estruturar operações maiores e customizadas permite um ritmo de concessão acelerado: somente em dezembro de 2025, a Agrolend liberou R$ 350 milhões em crédito.
Gestão de ativos e passivos
A gestão de ativos e passivos segue como um dos pilares da operação. Em dezembro de 2025, a carteira de crédito apresentava prazo médio de 120 dias. O prazo médio dos passivos da companhia (LCAs e CDBs) é de 340 dias corridos. O gap de 220 dias garante que os recebimentos ocorram antes dos vencimentos de captação, reduzindo o risco de liquidez.
Estrutura de captação e plataformas de distribuição
No fim de 2025, a captação totalizava R$ 1,025 bilhão, sendo R$ 743 milhões em Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), R$ 252 milhões em Certificados de Depósito Bancário (CDB) e R$ 30 milhões em depósitos interfinanceiros. As LCAs são tipicamente emitidas com custo abaixo do CDI, o que representa uma vantagem competitiva relevante frente a fintechs que captam a custo mais elevado. A distribuição é feita em parceria com grandes instituições financeiras, como XP, Itaú, BTG Pactual, Santander, Genial, Daycoval, Mercado Pago, Inter e Nubank, o que garante diversificação e resiliência das fontes de funding. Regulada pelo Banco Central desde 2021, a Agrolend reporta mensalmente suas informações financeiras e operacionais. As demonstrações são auditadas semestralmente pela Grant Thornton, sem ressalvas desde a fundação. Em agosto de 2024, a Moody’s atribuiu à companhia rating BBB+ (grau de investimento), posteriormente reafirmado em novembro de 2025.
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