
A catarata é frequentemente associada à terceira idade, mas você sabia que é possível desenvolver a doença em apenas um dos olhos ou até mesmo nascer com ela? Em uma conversa esclarecedora, um médico oftalmologista detalhou as causas, os tipos de catarata e a importância da cirurgia para manter a produtividade na vida adulta e sênior.
De acordo com o especialista, Dr. Luis Castelo Branco, embora a catarata senil (causada pelo envelhecimento natural do olho) represente cerca de 98% dos casos, o especialista alerta para situações em que a doença surge de forma isolada ou precoce:
Catarata Congênita: Ocorre quando o bebê já nasce com a visão comprometida, muitas vezes devido a infecções como a toxoplasmose contraídas pela mãe durante a gestação.
Catarata Traumática: Pancadas, boladas ou socos no olho podem desencadear o processo de opacificação da lente ocular em apenas um dos lados.
Uso de Medicamentos: O uso prolongado de corticoides — seja para tratar rinite ou problemas articulares — é um dos principais vilões que levam jovens a desenvolverem o problema.
"Geralmente, o paciente ter catarata em um olho e no outro não acontece por esses motivos específicos (trauma ou remédios). Se for pela idade, os dois olhos envelhecem juntos", explica o médico.
A cirurgia de catarata hoje não é apenas uma questão de saúde básica, mas de manutenção da autonomia. O médico ressalta que muitos pacientes adiam o procedimento por conseguirem realizar tarefas simples, como comer ou conversar, mas acabam se retirando do mercado de trabalho precocemente por não terem mais a acuidade visual necessária para funções profissionais.

Uma das dúvidas mais frequentes nos consultórios oftalmológicos é se a catarata pode "voltar" após a operação. A resposta é curta e definitiva: jamais. Em entrevista, um médico especialista explicou que, uma vez que a lente natural do olho (que estava opaca) é removida e substituída por uma lente artificial transparente, é biologicamente impossível que a doença retorne.
O médico classificou como um "problema social" a crença de que a cirurgia falhou quando a visão volta a embaçar após um ou dois anos. Segundo ele, essa confusão é alimentada pela falta de acompanhamento pós-operatório, especialmente em mutirões de saúde.
Nesses eventos de larga escala, onde centenas de pessoas são operadas rapidamente, a personalização do atendimento é perdida. O paciente muitas vezes não conhece o médico que o operou e não recebe as orientações necessárias sobre o que esperar no longo prazo.
Outra dúvida comum entre os pacientes, como a ouvinte Antônia de Barras, é sobre o uso de lentes de contato estéticas ou de grau após o procedimento. Dr. Luis Castelo Branco garantiu que não há contraindicações. "Pode usar, nada impede", afirmou, reforçando que a cirurgia de catarata visa devolver a liberdade e a qualidade de vida ao paciente.
Dica do Especialista: Se você operou a catarata e sua visão está voltando a ficar turva, procure seu oftalmologista. Pode ser apenas a necessidade de uma limpeza na cápsula da lente, e não o retorno da doença.

A cirurgia de catarata é um procedimento rápido e altamente eficaz, mas o sucesso total depende de um fator externo ao centro cirúrgico: a disciplina do paciente no pós-operatório. Segundo um médico oftalmologista da região, as primeiras 48 horas após a operação são o período mais crítico para a saúde ocular.
O maior receio dos médicos no pós-operatório não é a falha do procedimento em si, mas a entrada de bactérias no olho operado. O especialista explica que, embora a tecnologia tenha avançado muito, o olho ainda é um órgão extremamente sensível após o corte cirúrgico.
A recomendação é clara: o paciente não deve levar as mãos aos olhos. "O maior medo que a gente tem é a infecção. Se o paciente for disciplinado e não colocar as mãos sujas no olho, o risco é mínimo", pontua o médico.
Além de evitar o que é prejudicial, o paciente deve ser rigoroso com o que é prescrito. O uso correto dos colírios antibióticos e anti-inflamatórios é a barreira principal contra micro-organismos. O especialista reforça que a lavagem das mãos antes de administrar qualquer medicação ocular é o passo mais importante de toda a rotina doméstica.
"O sucesso da cirurgia é dividido: 50% é o trabalho do médico no hospital e os outros 50% são o cuidado do paciente em casa", conclui o cirurgião oftalmologista.
Uma dúvida recorrente é se a cirurgia elimina definitivamente a necessidade de óculos. A resposta, segundo o médico, depende do tipo de lente intraocular escolhida pelo paciente:
Lentes Monofocais: Geralmente corrigem a visão para longe, mas o paciente ainda precisará de óculos para leitura ou atividades de perto.
Lentes Multifocais: Oferecem uma independência maior, permitindo enxergar bem em diversas distâncias, reduzindo ou eliminando a necessidade de óculos.
Mesmo com um resultado excelente, o médico recorda que, após algum tempo, a visão pode apresentar uma leve turvação. Isso não significa que a catarata voltou, mas sim que a "bolsa" que envolve a lente precisa de uma limpeza simples realizada com laser (YAG Laser). Esse procedimento é rápido, indolor e devolve a nitidez alcançada logo após a cirurgia.
"O objetivo é sempre a independência, mas o paciente deve entender que cada olho é um sistema único", conclui o especialista.
Hoje, chegar aos 80 ou 90 anos com visão clara é uma questão de autonomia. Diferente das décadas de 80 e 90, onde o idoso era deixado de lado pela falta de visão, o paciente atual busca manter-se produtivo e independente. "A visão renovada permite que a experiência acumulada em décadas continue sendo útil para a sociedade", afirmou o Dr. Luis Castelo Branco.
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