
O número de pessoas que moram sozinhas, nos domicílios cearenses, quase dobrou na última década. Mas esse movimento não tem ocorrido de forma homogênea entre homens e mulheres, principalmente em relação ao perfil etário nos dois grupos. Se entre os homens que vivem nesse arranjo é a faixa etária de 30 a 59 anos que predomina, as mulheres de 60 anos ou mais são maioria entre a fatia delas que são as únicas habitantes de suas residências.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) 2023, divulgados nesta sexta-feira (20), havia 538 mil unidades domésticas unipessoais no ano passado, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) denomina os domicílios com apenas um morador. Dez anos antes, em 2013, eram 279 mil, representando um aumento de 93% ao longo da última década.
Ao investigar o arranjo domiciliar, o IBGE caracteriza as unidades domésticas — conjunto de pessoas que vivem em um domicílio particular — das seguintes formas:
No Ceará, cerca de 16,4% das unidades domésticas eram unipessoais em 2023 — representando uma em cada seis delas. Essa proporção deixa o Estado na 18ª posição no País. Conforme o IBGE, mais da metade das pessoas que moravam sozinhas, no ano passado, eram homens (57%).
Ao longo da última década houve aumento em ambos os sexos. Na parcela feminina, eram 232 mil mulheres vivendo nesses domicílios em 2023, frente a 127 mil em 2013 — uma variação positiva de 83%. Entre elas, a maior mudança ocorrida nesse período foi na faixa etária de 30 a 59 anos, em que a quantidade mais do que dobrou.
Ainda assim, as idosas seguem representando a faixa etária predominante: a metade das mulheres que declararam morar sozinhas, no Ceará, tem 60 anos ou mais.
A população masculina dobrou, em relação a 2013, passando de 153 mil pessoas para 306 mil. O avanço mais expressivo ocorreu entre aqueles de 30 a 59 anos, seguido pelos idosos, com 60 anos ou mais.
Segundo os dados da PNAD Contínua 2023, o arranjo domiciliar mais frequente no Brasil era o nuclear — que consiste em um único núcleo formado pelo casal, com ou sem filhos ou enteados, ou ainda as famílias monoparentais. No ano passado, esse tipo de unidade doméstica correspondeu a 65,9% do total, percentual menor do que o verificado em 2012 (68,3%).
Já as unidades domésticas unipessoais, com apenas um morador, representaram 18% do total no País, um aumento de 5,8 pontos percentuais (p.p.) em relação ao dado mais antigo, de 2012 (12,2%).
Os demais tipos de arranjo domiciliar também tiveram redução no âmbito nacional. As unidades domésticas estendidas representavam 14,8% do total em 2023 — percentual que era de 17,9% em 2012. As compostas, por sua vez, representavam 1,3% do total de domicílios ocupados no ano passado — frente a 1,6% em 2012.
As diferenças observadas no perfil etário entre homens e mulheres que moravam sozinhos, no Ceará, também se reflete no País. "Há marcantes diferenças entre homens e mulheres que moravam sozinhos quanto ao perfil etário: 56,4% dos homens em arranjos unipessoais tinham 30 a 59 anos, seguidos por aqueles de 60 anos ou mais (29,4%); e, entre as mulheres, a maioria situava-se na faixa de 60 anos ou mais de idade (55,0%)", aponta o IBGE.
Os dados divulgados pelo Instituto nesta sexta-feira (20) dizem representam a consolidação de dados de aproximadamente 168 mil domicílios que participaram da amostra da pesquisa ao longo dos quatro trimestres de 2023.
A PNAD Contínua visita os domicílios selecionados por cinco trimestres consecutivos, uma vez a cada trimestre, e as características gerais dos domicílios são investigadas somente na primeira delas.
A pesquisa também reúne informações sobre tipo e condição de ocupação, material predominantes das paredes, piso e telhado, serviços de saneamento básico e energia elétrica e posse de bens, dados referentes à caracterização dos domicílios. Quanto à caracterização dos moradores, a publicação apresenta informações sobre distribuição da população, sexo e grupos de idade e cor ou raça.
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